O Centro de Valorização da Vida é uma associação civil sem fins lucrativos brasileira, de caráter filantrópico, fundada no ano de 1962 em São Paulo.
A primeira filial da organização foi a de Porto Alegre. Hoje o CVV tem sede em diversas cidades brasileiras e atende gratuitamente cidadãos de qualquer lugar do país, 24h por dia, pelo número 188 ou pelo chat online.
Conforme o site do CVV, a organização realiza mais de 2,7 milhões de atendimentos anuais, com a ajuda de aproximadamente 3.300 voluntários, presentes em 20 estados, além do Distrito Federal.
Levar ajuda emocional para qualquer pessoa que deseja e precisa conversar é o principal objetivo do CVV. Esse apoio é dado de forma totalmente anônima.
A cada ligação, a pessoa fala com um voluntário diferente. O voluntário realiza o atendimento sozinho, em um ambiente fechado e silencioso.
Segundo a voluntária e porta-voz do CVV Porto Alegre Vera Borges, a fila de espera das ligações é longa, porque a procura é “extremamente alta”. Dependendo do dia, uma pessoa pode esperar até 1h na linha para ser atendida.
“Os dias de maior movimento são as datas comemorativas, como Dia das Mães e Natal e também no Setembro Amarelo o telefone não para, aumenta muito a procura”, relata Vera.
A atuação de um voluntário
Conforme Vera Borges, a equipe de voluntários recebe diversos treinamentos para lidar com pessoas em sofrimento.
Um voluntário passa por até seis meses de preparação antes de ter seu primeiro atendimento e é acompanhado de perto por outros voluntários. Todos recebem treinamentos contínuos durante todo o tempo de voluntariado.
“A principal linha de conduta do voluntário é não dar conselhos, não dizer à pessoa o que fazer, apenas escutar e mostrar compreensão, fazer companhia para a pessoa naquele momento”, explica a voluntária.
Cada voluntário trabalha uma vez por semana, em um turno de 3h, no dia da semana de sua preferência.
Segundo Vera, o CVV está sempre precisando de voluntários, afinal, realizam um trabalho difícil e indesejado pela maioria.
Centro de Apoio aos Sobreviventes de Suicídio
Até o ano passado, o CVV Porto Alegre oferecia um grupo de apoio para sobreviventes de suicídio e para amigos e familiares de pessoas que cometeram suicídio.
Esse grupo parou as atividades após as enchentes de maio de 2024 porque ficou sem local físico para as reuniões.
No momento, o CVV aguarda um retorno da Prefeitura de Porto Alegre sobre a possível disponibilização de um espaço e aceita sugestões ou contribuições da comunidade.
Segundo Vera Borges, o CVV pretende retomar o grupo o quanto antes. A associação prefere não utilizar o espaço de igrejas, para respeitar a diversidade religiosa dos participantes e evitar que alguém possa se sentir julgado no ambiente.
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Epidemia de solidão
Ainda de acordo com a voluntária, muitas pessoas que recorrem ao CVV afirmam não ter com quem conversar sobre o sofrimento que passam.
O relato é condizente com os últimos pronunciamentos da Organização Mundial da Saúde, que chegou a criar, em 2023, a Comissão Internacional para Conexão Social, com o objetivo de elaborar iniciativas para amenizar a crise de solidão, considerada uma “ameaça premente para a saúde” dos cidadãos.
“Tem muitas pessoas que ligam só para dar ‘boa noite’”, conta Vera.
Em uma conversa com voluntários do CVV durante a Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho (SIPAT) na sede do Correio do Povo, colaboradores conversaram sobre o efeito das redes sociais nas relações interpessoais. Conforme os relatos, as relações acabam ficando mais “frias” e “superficiais” quando os contatos ficam limitados ao whatsapp e às redes sociais.
Nesse contexto, a voluntária ressalta a importância de conversar presencialmente e estar próximo dos amigos e pessoas da família, pois muitas vezes pessoas em depressão escondem o sofrimento para si mesmas para não incomodar e por medo de se sentirem julgadas pelos outros. Segundo ela, uma boa conversa se baseia na escuta e no não-julgamento.