No final de 2023, o governo federal implantou a política nacional de cuidados paliativos pelo Sistema Único de Saúde. Com isto, os municípios e estados começaram a se movimentar para habilitar as equipes que realizam este trabalho. Pelotas, no Sul do Estado, teve recentemente duas equipes, chamadas matriciais, que foram habilitadas. As duas fazem parte do Cuidativa.
A coordenadora do grupo e diretora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Julieta Fripp, explica que as matriciais são as que atendem cada uma 500 mil habitantes. “Como habilitamos duas ficaremos responsáveis por 27 cidades que integram a 3ª e a 7ª Coordenadorias Regionais de Saúde, o que equivale a 1 milhão de pessoas”, observa.
Ela conta que as equipes de Pelotas são as primeiras habilitadas no país. “Também há equipes em Blumenau, Curitiba e Palmas, mas são todas assistenciais”, pondera. Uma das equipes tem um médico clínico, um psicólogo, um assistente social e um enfermeiro. Este grupo, com a habilitação, receberá um recurso mensal de R$ 65 mil. A outra, além desses profissionais conta com um pediatra. Com isto, o valor do repasse mensal chega a R$ 78 mil.
O trabalho na base do Cuidativa ocorre de segunda a sexta-feira. “Agora o nosso trabalho é formar o matriciamento de telessaúde, dialogando com os profissionais que fazem cuidados paliativos nos municípios. A orientação será realizada por vídeo, ao mesmo tempo os profissionais estão se qualificando sobre o tema”, observa. Segundo ela, a medida evitará que os usuários venham de ambulância para o Pronto Socorro em busca de uma orientação, que poderá ser feita por web conferência, sem o desgaste do deslocamento.
Julieta conta que serão realizados encontros online e presenciais com trabalhadores da região com o objetivo de capacitá-los. “Já estamos organizando os fluxos, com diagnóstico pronto de cada um dos municípios e, fazendo o contato com ele. A partir de outubro vamos visitar cada uma das cidades, para conversar sobre cuidados paliativos com trabalhadores, gestores e a comunidade, explicando o quanto isso irá beneficiar”, conclui.