Saúde

Formação fortalece a conscientização sobre doação de órgãos e tecidos

Atividade do projeto Cultura Doadora contou com relatos de transplantados e esclarecimentos a respeito do processo de doação

Evento contou com relatos de pessoas transplantadas, como o da gestora hospitalar e transplantada renal Adriana Teles
Evento contou com relatos de pessoas transplantadas, como o da gestora hospitalar e transplantada renal Adriana Teles Foto : Stela Pastore / Divulgação / CP

Em um país em que 80 mil pessoas aguardavam na fila por um transplante no país em 2025, somando órgãos e córneas, segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), a falta de informação clara sobre o processo de doação ainda é um desafio. Com o objetivo de conscientizar e levar informação acessível à população leiga, a Fundação Ecarta, por meio do projeto Cultura Doadora, promoveu uma formação com a presença de especialistas da saúde e também de pacientes transplantados.

"A gente aproxima, traz uma formação que é fundamental para que as pessoas tenham o conhecimento desse universo. Esse universo não é tocado até o momento que isso bate a porta. A gente quer chegar antes disso", a coordenadora do Cultura Doadora, Glaci Salusse Borges. Glaci afirma que ainda existe um despreparo de profissionais da saúde sobre o assunto no Estado, que tem apenas quatro universidades com disciplinas eletivas sobre doação de órgãos. “Os profissionais da saúde não podem sair de dentro de uma formação sem saber nada sobre isso”.

Entre os destaques da programação, estavam o coordenador da Central de Transplantes do RS, Rogério Caruso, o cirurgião torácico e transplantador, Spencer Camargo, coordenadoras de Organizações de Procura de Órgãos (OPO) do RS e SC e outros profissionais que falaram de morte encefálica, entrevista familiar no processo de doação, comunicação de situações críticas, acolhimento em momentos delicados e cuidados com o potencial doador.

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O evento também contou com relatos de pessoas transplantadas, como o da gestora hospitalar e transplantada renal Adriana Teles. Em 2018, ao fazer um exame para ir ao exterior, descobriu que estava com uma doença autoimune genética, com 10% de função renal. "É uma doença bastante silenciosa, e não me dei por conta. Não tive sintomas e descobri quando precisava de hemodiálise", lembra. Ela entrou para a lista de transplantes e, três meses depois, conseguiu um novo rim. Hoje é ativista em prol da causa da doação de órgãos e voluntária no projeto.

"Hoje a gente tem muita falta de informação sobre o assunto. Infelizmente, as pessoas costumam falar sobre doação de órgãos ou quando precisa ou quando tem um familiar ou amigo. Doação de órgãos é preciso falar todos os dias, estar presente na vida da gente, até porque quando as pessoas estão mais informadas sobre o assunto, a decisão fica mais fácil", refletiu.