Saúde

Galeria de Excelência Médica tem adição de quatro novos nomes

Atualização foi realizada pelo Hospital Moinhos de vento em alusão ao Dia do Médico

Espaço reconhece profissionais pioneiros que marcaram a medicina gaúcha
Espaço reconhece profissionais pioneiros que marcaram a medicina gaúcha Foto : Leonardo Lenskij / Hospital Moinhos de Vento / CP

Da realização de pesquisas que ajudaram a transformar o tratamento do diabetes à participação no primeiro transplante de rim do Rio Grande do Sul, diferentes gerações de médicos contribuíram para avanços que permanecem presentes na assistência à saúde. Quatro dessas trajetórias foram reconhecidas pelo Hospital Moinhos de Vento, durante uma homenagem que marca a renovação da Galeria de Excelência Médica. Os novos integrantes são Anna Cristina Rodrigues Stein, dr. Luiz Alfredo Jung, João Polanczyk (in memoriam) e Jorge Gross (in memoriam)

A iniciativa, realizada em alusão ao Dia do Médico, celebrado em 18 de outubro, valoriza profissionais que se destacaram pela dedicação aos pacientes, pela produção científica, pelo pioneirismo e pela liderança. Criada em 2015, a Galeria reconhece, a cada dois anos, médicos do Corpo Clínico que ajudaram a construir a história da instituição e a transformar a saúde fora do estado do Rio Grande do Sul. Com a edição de 2026, o espaço passa a reunir 24 homenageados.

Entre os marcos que ilustram as trajetórias reconhecidas neste ano estão a participação do médico anestesiologista Jung na equipe responsável pelo primeiro transplante renal gaúcho, realizado no Moinhos de Vento em 1970; a contribuição do endocrinologista, o médico Gross para pesquisas clínicas que fundamentaram avanços no tratamento de doenças metabólicas; a atuação de Stein no desenvolvimento de modelos de cuidado aos pacientes com diabetes na atenção primária; e a liderança de Polanczyk na modernização da gestão hospitalar.

O processo de curadoria dos homenageados contempla pesquisas históricas, análise de documentos e levantamento das trajetórias profissionais, considerando contribuições para a assistência, a ciência, a formação médica e a gestão institucional.

Localizada no hall do Bloco B, com acesso pela Rua Tiradentes, a Galeria de Excelência Médica reúne histórias que ajudam a compreender a evolução da medicina e do próprio Hospital Moinhos de Vento, preservando a memória daqueles que contribuíram para consolidar sua cultura de excelência, pesquisa e inovação.

Conheça os homenageados de 2026

Anna Cristina Rodrigues Stein — Contribuições à nefrologia e à saúde pública

Natural de Bagé, Anna Cristina Rodrigues Stein formou-se em Medicina pela UFRGS em 1975 e especializou-se em Medicina Interna e Nefrologia. Sua atuação na Vila Maria da Conceição, em Porto Alegre, entre 1978 e 1987, foi marcada pela criação, em parceria com outros profissionais, de estratégias de acompanhamento e acesso ao tratamento para pacientes com diabetes, em um período anterior à implantação do Sistema Único de Saúde (SUS).

A experiência contribuiu para estudos epidemiológicos e para a construção de modelos de atenção primária que influenciaram políticas públicas nacionais. Credenciada no Hospital Moinhos de Vento desde 1991, também teve papel importante na organização da produção científica da Nefrologia, incentivando a criação de um banco de dados para registro de pesquisas, protocolos e procedimentos. Com mestrado e doutorado na área, sua trajetória reúne assistência, inovação e compromisso com a ampliação do acesso à saúde.

Luiz Alfredo Jung — Pioneirismo na anestesiologia gaúcha

Nascido em Porto Alegre, Luiz Alfredo Jung formou-se em Medicina pela UFRGS em 1969 e teve participação em momentos históricos da medicina gaúcha. Ainda durante a graduação, em 1966, colaborou na construção da primeira máquina de circulação extracorpórea do Estado.

Em 25 de julho de 1970, integrou, como anestesiologista, a equipe que realizou o primeiro transplante de rim do Rio Grande do Sul, no Hospital Moinhos de Vento. Ao longo da carreira, dedicou-se especialmente à anestesia cardiovascular e à incorporação de novas tecnologias.

Em 2013, assumiu a coordenação do Serviço de Anestesia do Moinhos de Vento, onde promoveu a modernização dos equipamentos e a padronização de rotinas para ampliar a segurança dos procedimentos realizados também fora do bloco cirúrgico. Sua trajetória inclui ainda contribuições científicas, atividades acadêmicas e participação em entidades médicas.

João Polanczyk (in memoriam) — Liderança e transformação da gestão hospitalar

Natural de Guarani das Missões, João Polanczyk formou-se em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em 1964. No início da carreira, retornou à cidade natal, onde atuou no atendimento à população e participou da reestruturação do hospital local, além de enfrentar uma epidemia de varíola em 1967.

Posteriormente, destacou-se na administração hospitalar, exercendo por mais de 14 anos a direção-geral da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre. Em 2005, assumiu a Superintendência Executiva do Hospital Moinhos de Vento, contribuindo para o aperfeiçoamento dos processos de gestão e para investimentos estratégicos, incluindo a nova Maternidade Helda Gerdau Johannpeter, inaugurada em 2011. Polanczyk faleceu em junho de 2026, aos 86 anos.

Jorge Luiz Gross (in memoriam) — Referência em endocrinologia e pesquisa clínica

Formado em Medicina pela UFRGS em 1970, Jorge Gross construiu uma trajetória de destaque na endocrinologia brasileira, conciliando assistência, ensino e pesquisa.

Professor titular da UFRGS, contribuiu para a estruturação do Serviço de Endocrinologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e fundou, em 2003, o Centro de Pesquisa em Diabetes, onde foram desenvolvidos mais de 140 projetos de pesquisa clínica. Ao longo da carreira, publicou mais de 300 artigos científicos e participou de estudos nacionais e internacionais que ajudaram a estabelecer novas evidências para o tratamento do diabetes, da obesidade e de doenças cardiovasculares e renais.

Sua relação com o Hospital Moinhos de Vento começou em 1978, quando instalou seu consultório no recém-inaugurado Centro Clínico Ramiro Barcelos, onde atuou por praticamente quatro décadas. Gross faleceu em 2017, deixando um importante legado científico e acadêmico.

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