Saúde

Hospitais e pronto atendimentos de Porto Alegre operam acima da capacidade

Santa Casa, São Lucas da PUCRS e Clínicas registraram o dobro de ocupação na manhã desta sexta-feira, dia 2; a emergência adulto da unidade Bom Jesus está com 357% de lotação

Pronto atendimento Bom Jesus
Pronto atendimento Bom Jesus Foto : Pedro Piegas

As emergências de hospitais de alta complexidade e de unidades de pronto atendimento em Porto Alegre registraram percentual de superlotação nesta sexta-feira, dia 2. Entre os hospitais, Santa Casa, São Lucas da PUCRS e o Clínicas são algumas instituições que estão operando acima da capacidade.

Nesta manhã, conforme a última atualização do painel de acompanhamento de ocupação da prefeitura de Porto Alegre, mantido pela Secretaria Municipal da Saúde (SMS), o Hospital São Lucas da PUCRS estava com a emergência adulto registrando 270%, com 27 leitos ocupados e 10 operacionais. A emergência de adultos da Santa Casa registra 254% de ocupação, com 71 leitos ocupados e 28 operacionais.

O Instituto de Cardiologia apontou taxa de 260%, com 26 leitos ocupados e 10 operacionais. O Hospital de Clínicas registrava 186% de ocupação, 82 leitos ocupados e 44 operacionais. O Hospital de Pronto Socorro está com 150% de ocupação, com 30 ocupados e 10 operacionais.

A situação das unidades de pronto atendimentos também registrava cenário crítico nesta manhã. Na Unidade Bom Jesus, a emergência adulto está com 357% de lotação, e a unidade Moacyr Scliar, na zona Norte, local que tem recebido muitos pacientes sintomáticos de dengue e que conta com o hospital de campanha para atender apenas pacientes com a doença, registra 241% de lotação.

"Estou esperando umas 3 horas. Vim para consultar, mas realmente eu não sei que eu tenho, se eu tenho dengue, se estou com com outro tipo de coisa, não sei mesmo, mas bem ruim. Muita dor nas costas, dor na cabeça, e estou esperando até agora", disse Márcia Linhares, de 45 anos, que aguardava atendimento com etiqueta verde no pronto-atendimento Bom Jesus.

Deise da Silva, dona de casa de 37 anos, diz que a demora é frequente no local. "A pediatria é mais rápida, mas a emergência é a emergência de adultos. Eu recém cheguei, mas já fiquei de 5 a 6 horas esperando."

Stephanie Bittencourt, de 30 anos, passou o dia inteiro desta quinta-feira, dia 1º, acompanhando sua Vó Vilma da Silva Bittencourt, de 65 anos, na unidade Moacyr Scliar. “Eles atendem, mas o tempo que demora até atender, a pessoa está sofrendo”.

Segundo a SMS, a ocupação dos leitos hospitalares, que já ultrapassa os 100% em alguns serviços, pressiona as emergências e compromete a segurança dos atendimentos. As doenças do sistema respiratório são as principais causas de internação, com 330 pacientes internados no dia de hoje, tanto adultos quanto crianças. Além disso, mais de 42% dos pacientes internados estão vindo de outras cidades, “sem a devida contrarreferência estadual, o que significa que não há mais margem para absorver a crescente demanda”, diz a pasta em nota.

Devido à superlotação, há restrição parcial nas emergências do Hospital Materno Infantil Presidente Vargas (HMIPV), da Santa Casa e do Hospital São Lucas, válida para casos urgentes, conforme o Protocolo de Manchester. Em nota, a pasta ressaltou que o giro de leitos tornou-se “extremamente difícil, pois a capacidade hospitalar está esgotada, com pacientes internados além do limite físico e operacional das instituições”.

A ocupação atual está acima da capacidade nos três prontos atendimentos e na UPA, que atende cerca de 30% de pacientes oriundos de outros municípios. Ainda assim, mais de 80% das demandas são casos leves, que podem ser atendidos em unidades básicas de saúde. A média de espera nos três prontos atendimentos da capital está em torno de três horas, com principais demandas de casos sintomáticos respiratórios, gástricos e cardiológicos. Confira, abaixo, a nota completa da pasta.

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Hospitais privados

Entre os hospitais privados da Capital, o Serviço de Emergência Adulto do Hospital Moinhos de Vento registrou, nesta sexta-feira, uma ocupação de 113,56%, com 39 pacientes internados.

De acordo com a assessoria da instituição, “a procura pelo atendimento de emergência permanece dentro da normalidade, sem aumento expressivo de demanda”, e o hospital está adotando protocolos específicos para garantir a qualidade da assistência, mesmo em períodos de alta ocupação, como a ampliação da rede de atendimento conforme a classificação de risco, a priorização de pacientes graves, a integração com serviços de telemedicina para acompanhamento pós-alta e a disponibilização de exames e ambulatórios de baixa complexidade para os casos de menor gravidade. O hospital ainda reforçou que a Emergência seja procurada apenas em situações de urgência, emergência ou alta complexidade.

O Hospital Mãe de Deus registrou, nesta sexta, ocupação de leitos de emergência em 45%. A emergência do Hospital Ernesto Dornelles, em Porto Alegre, que, nesta segunda-feira, dia 28, foi fechada para atender apenas a casos com risco de vida, teve a situação normalizada na quarta, mas não divulgou a taxa de ocupação até o fechamento desta reportagem.

Confira a nota completa da Secretaria Municipal da Saúde sobre a demanda de atendimentos

Porto Alegre, que concentra a maior parte dos serviços de alta complexidade do Estado e atende diariamente cerca de 500 internações — metade delas de outros municípios —, está operando acima de sua capacidade. A ocupação dos leitos hospitalares já ultrapassa os 100% em alguns serviços, pressionando as emergências e comprometendo a segurança dos atendimentos. Mais de 42% dos pacientes internados vêm de outras cidades, sem a devida contrarreferência estadual, o que significa que não há mais margem para absorver a crescente demanda.

Doenças do sistema respiratório são as principais causas de internação, com 330 pacientes internados no dia de hoje - adultos e crianças. Devido à superlotação, há restrição parcial nas emergências do Hospital Materno Infantil Presidente Vargas (HMIPV), da Santa Casa e do Hospital São Lucas, válida para casos urgentes, conforme o Protocolo de Manchester. O giro de leitos tornou-se extremamente difícil, pois a capacidade hospitalar está esgotada, com pacientes internados além do limite físico e operacional das instituições. A média de espera nos três prontos atendimentos da capital gira em torno de três horas, com principais demandas de casos sintomáticos respiratórios, gástricos e cardiológicos.

A Secretaria Municipal de Saúde já observa aumento na procura por leitos pediátricos. Em situações de urgência e emergência, a orientação segue sendo a busca direta por hospitais ou prontos atendimentos. Nesses serviços, o atendimento é feito com base no Protocolo de Manchester, que classifica os pacientes por gravidade, e não por ordem de chegada — ou seja, casos mais graves têm prioridade, garantindo o cuidado a quem mais precisa.

A ocupação atual está acima da capacidade nos três prontos atendimentos e na UPA, que atende cerca de 30% de pacientes oriundos de outros municípios. Ainda assim, mais de 80% das demandas são casos leves, que podem ser atendidos em unidades básicas de saúde.