O cenário de superlotação segue nas emergências de hospitais públicos e unidades de pronto atendimento em Porto Alegre. Nesta manhã, o Hospital de Clínicas de Porto Alegre restringiu os atendimentos na emergência, que está com 254% de lotação, com 117 leitos ocupados para 46 operacionais. O Hospital São Lucas da PUC registra 320% de ocupação, com 32 leitos ocupados para 10 existentes. A Santa Casa está com 264% de ocupação, com 74 leitos ocupados para 28 operacionais. Ali, 62% dos pacientes vêm de fora de Porto Alegre. O Hospital Conceição está com 194% acima da capacidade, com quase metade dos pacientes de fora de Porto Alegre. Já o Hospital de Pronto Socorro registra 165% de ocupação.
A emergência pediátrica do Clínicas também está superlotada, com 35 crianças nas 14 vagas existentes, e outras 15 aguardando atendimento. O cenário foi o mesmo no domingo. De acordo com a instituição, “estão sendo usados no limite máximo todos os recursos materiais e humanos disponíveis para atender a uma demanda muito acima da capacidade do setor". A recomendação do hospital é de que, em casos mais simples, a população evite a emergência e procure as unidades básicas de saúde ou prontos atendimentos.
Daniel Pedrollo, chefe de emergência do HCPA, afirma que a demanda atual é maior do que a instituição suporta. "São pacientes que precisam de internação hospitalar e que ficam presos na emergência por uma deficiência de leitos que a gente tem cronicamente. A nossa restrição é habitual, que a gente faz classificação de risco dos pacientes. Alguns são orientados a procurar atendimento em unidades básicas. E alguns a gente orienta que poderá ser atendido, mas vai ter uma demora um pouco excessiva", afirma.
Pedrollo afirma que o cenário é comum nessa época do ano. "Todo ano, normalmente, chega esse período e acontece esse pico de procura e demanda de internação que existe por mais síndromes respiratórias, por descompensação das doenças crônicas, por alguma doença respiratória, que acabam descompensando a insuficiência cardíaca, das doenças de base que a pessoa tem com esses quadros".
Apesar do número maior de casos respiratórios, os registros também variam. "As pessoas têm mais quadros gripais, quadros de infecções virais, e isso acaba descompensando suas doenças de base. A gente tem uma população que é mais envelhecida, e isso acaba acarretando essa demanda maior nesses períodos", afirma Pedrollo.
"Algumas demandas podem ser resolvidas em outros hospitais, não necessariamente de alta complexidade como aqui. Então a gente normalmente tem alguns pacientes para transferências para outros locais. Mas essas transferências são bem escassas atualmente. Então esses pacientes acabam ficando, às vezes aqui 4, 5 dias, às vezes, internados. Não é o nosso tempo habitual, em torno de 70, 72 horas para a gente conseguir que um paciente acesse o leito. Como a gente tem uma demanda excessiva, tem que dosar o que vai ser o melhor para cada paciente para ter o recurso adequado", relata.
Pedrollo acredita que a solução para desafogar o sistema, atualmente, é ter maior fluxo de saída dos pacientes da emergência, com o aumento de leitos.
Durante a tarde, o Grupo Hospitalar Conceição (GHC) informou que o Hospital Criança Conceição está restringindo totalmente o atendimento de emergência pelas próximas 24 horas. Desde então, somente pacientes com risco de morte trazidos pelo SAMU são atendidos no local. “O Hospital Criança Conceição está acima de sua capacidade de atendimento em mais de 200%, sem leito e ponto de oxigênio disponível”, completo a nota.
Pronto atendimentos
As unidades de pronto atendimento também operam acima da capacidade. Na PA Moacyr Scliar, zona Norte de Porto Alegre, a emergência opera com 353% de ocupação, sendo a maior parte dos casos respiratórios. A unidade Bom Jesus registra 223% de lotação, enquanto a Lomba do Pinheiro está com 200%. A unidade Cruzeiro do Sul registra um número menor, mas ainda preocupante, de 144%.
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Hospitais privados
O Serviço de Emergência Adulto do Hospital Moinhos de Vento registra 130% de ocupação neste momento. Já a Emergência pediátrica está com ocupação em 95%.
A instituição afirmou que adota “protocolos específicos para garantir a qualidade da assistência, mesmo em períodos de alta ocupação”. Entre as medidas, estão a ampliação da rede de atendimento conforme a classificação de risco, a priorização de pacientes graves, a integração com serviços de telemedicina para acompanhamento pós-alta e a disponibilidade de exames e ambulatórios de baixa complexidade para os casos de menor gravidade. O hospital informou, ainda, que reforça ainda a orientação para que a Emergência seja procurada apenas em situações de urgência, emergência ou alta complexidade.
O cenário é diferente no Hospital Mãe de Deus, que registra, nesta terça, ocupação em 27,78%. Já o Hospital Ernesto Dornelles não informou a taxa de ocupação na emergência da instituição até o fechamento da reportagem.