Alta taxa de mortalidade infantil, a baixa cobertura vacinal, com alteração da pirâmide etária indicando aumento da população idosa, alertam para o crescimento constante de pessoas com hipertensão na cidade de São Leopoldo. Estes foram alguns dos apontamentos apresentados durante o encontro realizado pela Associação Comercial, Industrial, de Serviços e Tecnologia de São Leopoldo (ACIST-SL). Os dados mostram a urgência na implantação de políticas públicas efetivas na Atenção Básica à Saúde.
O cruzamento de dados e apontamento de índices foram demonstrados pelo economista Marcos Tadeu Lélis e debatidos pela secretária municipal de Saúde, Paula Silva, juntamente com a professora da Escola de Saúde da Unisinos, Juliana Nichterwitz, com mediação de Roberta Wobeto, conselheira titular da ACIST-SL.
O estudo das faixas etárias da população de São Leopoldo revelou que a pirâmide etária vem se invertendo nos últimos anos. Os gráficos apresentam uma mudança acentuada na pirâmide em 2022. No ano de 2000 a base da pirâmide, formada por habitantes de zero a quatro anos e cinco a nove anos, continha percentuais em relação a população total mais elevados, já em 2022 esse percentual que antes era de 9,2% em ambas as faixas etárias, se tornou 6,6% e 6,1% nas faixas etárias de cinco a nove anos e zero a quatro anos, respectivamente.
As faixas de dez a 14 anos, 15 a 19 anos e 20 a 24 anos, apresentaram retração em 2022, enquanto as faixas de 25 a 29 anos e as faixas de 40 anos ou mais aumentaram em 2022. Observando as pirâmides fica evidente que as sete primeiras faixas etárias, em 2022, apresentam o menor percentual em relação a população total e as faixas de idade mais avançadas apresentam o maior percentual. Representando assim um envelhecimento populacional.
Em 2022, a população de São Leopoldo foi de 217.409 pessoas. As mulheres foram o sexo predominante no município, somando 52% da população total. Ao comparar com o ano de 2000, percebe-se que o crescimento populacional foi de 23.860 pessoas. A faixa etária com maior percentual é entre 40 e 44 anos, a qual representa 7,9% da população total. Em números, a faixa etária de 40 a 44 anos representa 8.950 mulheres e 8.227 homens que, somados, são 17.177 pessoas.
Tanto Paula Silva quanto Juliana concordam que é preciso elaborar estratégias para atender a esta população. Em São Leopoldo, já existe um Centro do Idoso, porém, ainda é insuficiente para atender todas as necessidades. Conforme a secretária Municipal de Saúde, são cinco regiões para serem atendidas e os recursos financeiros e de pessoal estão aquém das demandas, que vão desde a capacitação das equipes de Saúde e valorização do idoso como pessoa produtiva. "Temos em torno de 20 a 25 mil idosos e este número vai aumentar", ressalta. Juliana complementa que o mercado de trabalho precisa abrir oportunidades para o idoso promovendo a equidade no setor produtivo.
São Leopoldo possui a maior proporção de leitos SUS da região, com 88,3% do total em 2023. Ou seja, dos 266 leitos de internação e leitos complementares do município, 235 são custeados pelo Sistema Único de Saúde. Em 2023, a despesa per capita de São Leopoldo com saúde, em valores reais, foi de R$ 1.404,00 por habitante, apresentando uma elevação de 23,5% de em relação ao ano anterior.
O levantamento mostrou que o município ficou abaixo da média observada no Estado em relação à cobertura vacinal contra Poliomielite, Meningocócica C e Tríplice Viral. Ao avaliar os números, a secretária Paula assinalou que desde a pandemia houve uma redução drástica nas imunizações, gerada em parte pela desinformação e pelo discurso antivacina. "A solução é intensificar as campanhas de vacinação tanto junto à população como também nas empresas, incentivando os trabalhadores e seus dependentes a colocarem a vacinação em dia. Também é preciso trazer a ciência nesta discussão", reforçou.
A saúde mental também foi destaque durante o debate. Conforme o levantamento do Grupo de Pesquisa Competitividade e Economia Internacional da Unisinos, São Leopoldo apresentou aumento de suicídios, saindo de 16 em 2019 e chegando a 19 suicídios no ano de 2023. Marcos Lélis observa que este número pode ser bem maior, uma vez que muitos casos não são informados. Para Juliana Nichterwitz, a saúde mental deve ser foco prioritário nas empresas. Ela coloca a Escola de Saúde da universidade à disposição para a elaboração de estratégias para tornar o ambiente de trabalho um local mais saudável ao estimular boas práticas como prática de exercícios e alimentação balanceada.