Saúde

Médico alerta para avanço das doenças respiratórias com chegada das baixas temperaturas

Somente a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) já causou mais de 200 mortes no RS neste ano

Emergência do Hospital de Clínicas de Porto Alegre
Emergência do Hospital de Clínicas de Porto Alegre Foto : Camila Cunha

As doenças de inverno preocupam e o alerta está aceso com a chegada das baixas temperaturas. Conforme o Painel de Hospitalizações da Secretaria Estadual da Saúde (SES), o Rio Grande do Sul registrou, apenas neste ano, até a manhã de terça-feira, mais de 2,4 mil internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), além de 213 mortes, com um índice de letalidade hospitalar superior a 8%. No ano passado, 1.465 pessoas morreram desta doença no RS, com porcentagem de óbitos similar.

Em 2025, praticamente três a cada dez pessoas internadas precisaram de UTI, e, no ano passado, 26% tiveram piora clínica. “Há uma vigilância constante nestas hospitalizações, e é bom recordar que a SRAG representa um conjunto de doenças respiratórias, geralmente virais, mas que também podem ser causadas por bactérias, que levam a um quadro grave com necessidade de hospitalização, e muitas vezes suporte de oxigênio”, comenta o médico Fabrizio Motta, infectologista cooperado da Unimed Porto Alegre.

As doenças respiratórias eram, na terça, o segundo principal grupo causador de internações em hospitais de Porto Alegre, com 311 pessoas nesta condição, atrás apenas de pacientes oncológicos, com 364, conforme o Dashboard das Emergências da Capital. A prevenção, neste ponto, tem um papel muito importante, salienta ele. Com o avanço do outono e a redução das marcas nos termômetros, convém serem reforçadas algumas medidas tomadas durante a pandemia da Covid-19.

Entre elas, evitar aglomerações, especialmente em locais fechados, buscar arejar salas, limpeza do ar-condicionado e higiene constante das mãos ao circular em lugares públicos. “No outono e principalmente no inverno, em que temos as alergias todas descontroladas, acabamos levando muito a mão ao rosto, coçando o nariz, passando aos olhos, e, com isso, acabamos levando estes vírus que tocamos para dentro da nossa mucosa respiratória”, alerta Motta.

Retomada das medidas contra a Covid-19

“Quando se está doente, com uma gripe, por exemplo, deve-se evitar visitar parentes, porque estamos levando conosco também aquele agente infeccioso, e, no trabalho, procurar fazer inclusive o home office, quando possível, pelo mesmo motivo”, acrescenta o profissional cooperado da Unimed Porto Alegre. Aliás, quanto à influenza, a vacinação ingressou na terceira etapa nesta terça na Capital, com forças de segurança, caminhoneiros, trabalhadores do transporte coletivo, portuários e trabalhadores dos Correios incluídos entre os grupos prioritários na rede pública.

A vacinação contra a Covid-19 produziu efeitos globais quase imediatos, com queda na incidência desta doença. Já o imunizante contra o vírus sincicial respiratório (VSR), responsável por cerca de 80% dos casos de bronquiolite e até 60% das pneumonias em crianças menores de dois anos, de acordo com o Ministério da Saúde, foi incorporado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para aplicação em gestantes em fevereiro deste ano.

Ele tem potencial de prevenir cerca de 28 mil internações anuais e proteger até dois milhões de bebês no país. Além disso, uma medicação associada já está incorporada pela Unimed Porto Alegre. “O VSR é um vírus que afeta muitas crianças, e quando há alguma comorbidade associada, o risco é ainda maior, assim como nos idosos”, finaliza o médico, especialista em pediatria.

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