Saúde

Porto Alegre terá Dia D de vacinação para frear casos de gripe e superlotação nas emergências

No sábado, vacina contra a gripe estará disponível em todas as unidades de saúde da Capital para pessoas com mais de seis meses de idade

Unidades de saúde da Capital registram lotação para atendimentos de casos de gripe e dengue
Unidades de saúde da Capital registram lotação para atendimentos de casos de gripe e dengue Foto : Cristine Rochol / PMPA / CP

Com a disparada no número de casos, internações elevadas e superlotação nos atendimentos em emergências, Porto Alegre terá neste sábado uma ação para frear o avanço da incidência de síndrome respiratória aguda grave (SRAG). Isso porque todas as unidades de saúde da Capital estarão abertas, das 9h às 18h, para o Dia D de vacinação contra a gripe (influenza). A vacina estará disponível para todas as pessoas com mais de seis meses de idade.

As doses oferecidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e que serão utilizadas no mutirão são as da vacina trivalente. Elas garantem a imunização contra os vírus da Influenza A H1N1 e H3N2 e Influenza B. De acordo com a Secretaria Municipal da Saúde (SMS), apesar de disponível para quase todas as idades, o objetivo do Dia D é vacinar pelo menos 90% de cada um dos grupos prioritários previstos, formados por crianças, gestantes e pessoas com 60 anos ou mais.

Até o início da semana, foram aplicadas 313.762 doses. Do total, 144.502 foi nos grupos prioritários, o que representa 36,58% da meta atingida. Para o Dia D, o transporte público de Porto Alegre terá passe livre neste sábado. “A vacinação contra a gripe é fundamental para proteger a população, especialmente os grupos mais vulneráveis. A imunização reduz as complicações e internações, além de aliviar a pressão sobre os serviços de saúde, que também enfrentam outras doenças sazonais”, destacou o secretário Fernando Ritter.

SRAG: doença e prevenção

De acordo com a médica e coordenadora do Programa de Residência de Medicina de Família e Comunidade da SMS, Loren Seibel, a síndrome respiratória aguda grave é a complicação do quadro de síndrome gripal, com comprometimento da função respiratória. Ela está normalmente relacionada com a infecção por vírus causadores da gripe comum e que possuem cobertura vacinal nas doses da vacina trivalente, que está sendo disponibilizada para a população.

Loren explica ainda que as pessoas do grupo de risco, formado por pacientes com comorbidades, idosos, crianças e grávidas, são as que possuem potencial de casos mais graves da doença. “É muito importante que se vacine. Os vírus que possuem cobertura na vacina, o H1N1, o H3N2 e a cepa do grupo B são os que potencialmente podem causar essa síndrome respiratória aguda grave, podendo levar as pessoas à internação e até complicações graves e ao óbito”, apontou.

Como a vacina é indicada para pessoas acima dos seis meses, Loren detalha que a proteção dos bebês é feita com a imunização de todos adultos e crianças que vivem no mesmo ambiente. “É importante que todo mundo se mobilize e procure a vacinação, tanto para se proteger como proteger quem está em volta”, completou.

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Sintomas e agravamento

Entre os sintomas comuns das pessoas infectadas pelos vírus que causam a síndrome gripal estão a dificuldade para respirar, febre alta, coriza, tosse, dor de cabeça e dor no corpo. A gripe comum pode durar até sete dias, com a tosse podendo persistir por mais tempo. Loren destacou ainda as medidas que pacientes com gripe podem tomar para melhorar e também que o público em geral pode fazer para evitar a contaminação.

“Tem que ter bastante repouso e tomar muito líquido. Também precisa de cuidado com o conforto térmico, principalmente nestes dias em que ocorrem mudanças acentuadas de temperatura. Também é preciso evitar aglomerações e lugares fechados e lavar bem as mãos. A alimentação saudável, assim como o consumo de sucos ricos em vitamina C, ajuda muito. Além disso, é preciso ficar atento aos sinais de agravamento do quadro”, afirmou.

Loren conta que a piora da síndrome gripal para SRAG é sentida quando, logo após um período de breve melhora, o paciente volta a ter uma piora considerável. “Quando a pessoa está melhorando, mas começa novamente com uma febre alta, com dor para respirar, o muco que era branca fica esverdeado, com dor de cabeça muito forte, é porque está piorando o quadro e precisa procurar uma unidade de saúde para avaliar se está ocorrendo uma complicação”, salientou.

Ela reforça ainda que, diferentemente de adultos, as crianças precisam sempre de uma avaliação quando apresentam sintomas de síndrome gripal, em função das complicações que podem se desenvolver. Além disso, ela destacou a importância da imunização da população. “A grande arma que nós temos é a vacina. Agora no sábado, as pessoas precisam correr para os postos, aproveitar o passe livre no transporte coletivo, e fazer a vacina”, falou.

Relação com o frio e a dengue

A médica aponta ainda que a gripe é uma doença sazonal que geralmente tem maior incidência no período mais frio do ano. Entretanto, ela não tem uma relação direta com as temperaturas baixas, mas sim com o comportamento da população. “Começa a ficar frio e as pessoas se fecham nos ambientes e não circula ar nestes espaços. Isso faz com que as pessoas se contaminem”, disse.

Além disso, Loren alertou para similaridades entre os sintomas iniciais da gripe e da dengue, outra doença que também acomete o RS neste momento, com surto em diversas regiões. “Às vezes, o início do quadro é muito parecido, com febre e dor no corpo. Mas precisamos tomar cuidado principalmente por conta das medicações. O anti-inflamatório não pode ser usado em casos de dengue. Sempre que for tomar alguma medicação quando os sintomas tiverem no início, é preciso dar preferência para analgésicos, como paracetamol e dipirona”, finalizou.