Com o objetivo de promover uma imersão no Sistema Único de Saúde (SUS) e conhecer os serviços desde a atenção primária até a alta complexidade, 100 estudantes de diferentes cursos da área da saúde participam, nesta semana, do projeto Vivências e Estágios na Realidade do Sistema Único de Saúde (VER-SUS) em Porto Alegre, por meio do Grupo Hospitalar Conceição (GHC).
O programa é desenvolvido pelo Ministério da Saúde em parceria com a Rede Unida e também com a Organização Panamericana da Saúde. Durante o período de imersão, os estudantes farão visitas a serviços de saúde e poderão conhecer os serviços feitos em territórios, além de conversar com equipes e com os usuários do serviço de saúde, participando de espaços de reflexões e até oficinas temáticas.
O programa, anual, é voltado a estudantes de graduação ou de cursos técnicos de diversas áreas da saúde, abrangendo todos os estados do País. São, ao todo, 116 participantes, sendo 100 inscritos como "viventes", para aqueles estudantes que estão começando na experiência, e 16 na modalidade de "facilitadores", aos alunos que já participaram do programa anteriormente e vão auxiliar a comissão organizadora. Uma cerimônia marcou a abertura nesta segunda-feira no Auditório Jahyr Boeira de Almeida, no Centro Administrativo do GHC, com a presença do Zé Gotinha. O ato contou com a apresentação da banda Tarja Preta, formada por pacientes de um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS).
O VER-SUS surge a partir da identificação dos movimentos estudantis sobre a importância de complementar os conteúdos da graduação e nos cursos técnicos, explica Carine Vasconcellos Tellier, coordenadora do programa. "Essa imersão é uma proposta de conhecer de fato, através das vivências, como se dá o SUS na prática", afirma.
O programa também auxilia a perpetuar a qualidade da assistência do SUS para as próximas gerações, lembra Thaiani Farias Vinadé, psicóloga no GHC e também coordenadora do programa. "Propõe um um tipo de sociedade onde todo mundo tem acesso, tem um tratamento com dignidade, onde a gente possa ter diferentes olhares que cuidam", completa.
Visitas técnicas e estudos
As vivências ocorrem durante essa semana em serviços do GHC e da Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre, em parceria com movimentos sociais e Secretaria Estadual da Saúde. A programação inclui visitas técnicas e estudos sobre as diretrizes de organização das Redes de Atenção à Saúde (RAS). Os participantes foram selecionados por sorteio, a partir de edital público.
Entre os 100 participantes, está a estudante de Enfermagem na UniRitter Patrícia Hoffmann, de 20 anos. Para a vivente, o principal objetivo é desenvolver-se como profissional no trabalho da saúde coletiva. "É uma experiência única para a gente enquanto futuros profissionais, trabalhar a saúde coletiva, focada no SUS. Está sendo incrível", relata. Com a experiência, busca conhecer a pediatria, mas principalmente a atenção primária.
Com o programa, as políticas de saúde se materializam no cotidiano e nos territórios, aponta Fabiano Ribeiro, da Diretoria de Gestão da Educação do Ministério da Saúde. "A vivência no SUS tradicionalmente tem sido uma estratégia de integração em ensino e serviço, dos estudantes e também os residentes da área da saúde agora, poderem vivenciar o cotidiano e o dia a dia do Sistema Único de Saúde", afirma.
No Rio Grande do Sul, o GHC é o único grupo a participar do programa. "Cada vez mais é necessário a gente pensar a formação do das pessoas que estejam atreladas aos princípios e as diretrizes do sistema único saúde. De forma que as pessoas saibam quais são as dificuldades que o Sistema Único de Saúde tem e também essas potencialidades, para formar trabalhadores comprometidos com esse sistema e com a sua qualidade", completa Kelen da Silva, diretora de Inovação e Gestão do Trabalho do GHC.
O secretário de Saúde de Porto Alegre, Fernando Ritter, destaca a importância das atividades estarem acontecendo no SUS da Capital. "O SUS de Porto Alegre é muito robusto, é histórico. Nós temos 93% de cobertura da atenção primária em saúde, são mais de 20 hospitais, além de 100 especialidades. Colocar o aluno que depois vai ser o profissional que vai atuar na nossa rede, ou que possa estar replicando as experiências de Porto Alegre, é de fundamental importância", afirma.
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