O presidente do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), Marcelo Matias, esteve reunido com equipes que atuam no Hospital Universitário de Canoas, e expressou preocupação com as falhas nas escalas médicas ao ouvir relatos dos profissionais que compõem os plantões no Centro Obstétrico, além da situação em que se encontram os residentes.
A equipe do Centro Obstétrico relatou que, em um dos plantões, havia apenas um obstetra. O outro profissional não tinha a especialização necessária. Isso ocorreu, segundo o presidente do sindicato, devido à dificuldade que a Medintegra, empresa que faz as escalas, tem para encontrar profissionais com Registro de Qualificação de Especialista (RQE) na área.
"É demasiado grave, principalmente em um plantão obstétrico, que atende gestantes de alto risco", alertou Matias, ressaltando que o problema é reflexo dos atrasos nos pagamentos e às dificuldades enfrentadas no ambiente de trabalho. Outra situação que chama atenção do Simers é quanto às condições de trabalho dos residentes. Um dos principais problemas é a falta de preceptores, que deve ser um profissional com Registro de Qualificação de Especialista na área do setor que está atuando.
Segundo os relatos, a Medintegra tem colocado médicos sem especialização nos plantões da UTI e do CO, por exemplo, o que impacta na formação dos residentes e coloca a assistência aos pacientes em risco. Em algumas escalas há apenas um profissional para atender duas UTIs. "O médico da UTI não pode sair da unidade, não pode ser responsável por outro setor", disse Matias.
O Simers pretende denunciar o atual cenário do HU à Comissão Estadual de Residência Médica e ao Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers). O HU pertence ao município de Canoas e é administrado pela Associação Saúde em Movimento (ASM), que venceu a licitação em dezembro de 2024.
ASM RECONHECE DESAFIOS
Por meio de nota, a ASM, que gerencia os serviços de saúde no Hospital Universitário de Canoas (HU), reafirma seu compromisso permanente com a assistência segura à população, com a transparência institucional e com a valorização dos profissionais de saúde que atuam na instituição.
A administração do hospital reconhece os desafios enfrentados no atual cenário e tem mantido todos os esforços necessários para garantir a continuidade dos serviços, a organização das equipes e a preservação do atendimento, mesmo em um contexto que exige permanente equilíbrio operacional, financeiro e institucional.
“É fundamental esclarecer que a avaliação da regularidade de repasses e pagamentos hospitalares demanda análise técnica detalhada, com distinção entre valores vinculados à operação assistencial, obrigações extraordinárias, passivos pretéritos e destinações específicas, não sendo possível inferir a quitação integral de honorários médicos a partir de consultas pontuais a informações públicas sem auditoria aprofundada e sem verificação da composição real desses valores”, esclareceu.
A ASM informou que, na esfera do ensino, o HU atua como campo de prática. “O exercício formal de atividades de ensino e preceptoria pressupõe instrumentos institucionais específicos, com definição clara de responsabilidades, capacitação pedagógica, carga horária dedicada e financiamento compatível com essas atribuições, oriundo das entidades signatárias dessa relação”.
Observou, ainda, que a regulação da residência médica e das atividades de ensino compete às instâncias próprias, como as Comissões de Residência Médica (Coreme), a Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM) e os órgãos competentes do Ministério da Educação, não cabendo a extrapolação dessas atribuições por entidades de natureza sindical.
Por fim, a atual administração reafirmou sua disposição para o diálogo institucional responsável, técnico e respeitoso, com todos os atores envolvidos, “reforçando que a construção de soluções sustentáveis exige análises qualificadas, responsabilidade institucional e compromisso com o interesse público, sempre com foco na segurança dos pacientes e na estabilidade do sistema de saúde”.
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