Saúde

Projetos desenvolvidos por médicos do Hospital de Clínicas aplicam IA em exames de imagem e emergências

Estudos e sobre o assunto estão sendo debatidos por especialistas na 45ª Semana Científica até sexta-feira

Evento discute impactos da inteligência artificial na saúde
Evento discute impactos da inteligência artificial na saúde Foto : Pedro Piegas

Cada vez mais presente no cotidiano da população, a inteligência artificial também está sendo testada na saúde, dentro da prevenção, do diagnóstico e do tratamento. Estudos e projetos sobre o assunto estão sendo elucidados por especialistas na 45ª Semana Científica do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Com o tema “Inteligência artificial, complexidade real”, o evento que segue até sexta-feira discute impactos da IA na forma de cuidar, decidir, formar e pesquisar, com palestras, oficinas, mesas-redondas e apresentações de trabalhos.

Um dos estudos debatidos envolvem a aplicação da IA em exames de imagem. Em um avançado projeto financiado pela Finep em conjunto com pesquisadores de Campinas, o programa de IA analisa o raio-x de tórax com o objetivo de buscar achados alarmantes e graves que podem contribuir para a rapidez de um diagnóstico. "Ele olha o exame de raio-x, vê se tem pneumonia grave e avisa no sistema, ao radiologista, que esse raio-X precisa ter prioridade na frente dos outros para ser feito do laudo, e o programa já pode dar um laudo pré-estabelecido", explica Maurício Sauressig, chefe do Serviço de Cirurgia Torácica do HCPA.

Foram analisados no HCPA cerca de 40 mil exames de raio-x de tórax. Após, foi comparado o resultado do da avaliação do humano, do radiologista e do médico com a avaliação da IA. A validação humana ainda está sendo testada, e o acerto de índice chega a 80%.

Atualmente, o sistema do Hospital não tem prioridade pelo grau de gravidade, apenas em situações específicas. Caso contrário, os exames são laudados na ordem em que entram no sistema. Segundo o médico, o projeto trará maior agilidade no tratamento dos pacientes. "O médico pode receber esse laudo mais rapidamente e esse paciente recebe o tratamento, e talvez até a receber alta, liberando espaço para outros pacientes", pontua.

Lucas Junqueira, médico emergencista do HCPA, tratou de projeto de estudos que estão sendo conduzidos no Clínicas e no Hospital Moinhos de Vento na aplicação da inteligência artificial na emergência. Um deles, submetido para o comitê de ética, pretende testar um agente social para agilizar os sumários de alta dos pacientes que estão hospitalizados na emergência.

“Como tem muito paciente dentro da emergência, e os médicos têm uma rotatividade alta, muitas vezes é um processo demorado para pegar e revisar tudo que aconteceu nos últimos dias, e preparar esse sumário de alta de maneira adequada para o paciente. A gente vai testar um agente para ver se isso poderia acelerar o processo e ajudar o médico”, conta.

Outro estudo também busca agilizar a triagem de pacientes que chegam na emergência. Atualmente, o processo é feito por enfermeiros. “Já têm vários estudos mostrando que modelos de inteligência artificial podem ajudar nesse ordenamento para tentar priorizar os pacientes mais graves, e também direcionar os menos graves para ser atendidos no lugar certo”, diz Junqueira.

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Para Ursula Matte, diretora de pesquisa do HCPA, o uso dessa tecnologia tem permitido grandes avanços, mas também levanta grandes questões que precisam ser debatidas. Por esse motivo, foi o tema escolhido para a edição do evento que acontece desde 1981. O que acontece quando a gente faz uma decisão médica somente baseada em inteligência artificial? Quais são os riscos legais disso? Como a inteligência artificial tem impactado a prevenção, o diagnóstico e o tratamento de pacientes?”, lista. As temáticas tratadas abarcam todas as áreas em que o hospital atua, envolvendo desde a prevenção, diagnóstico e tratamento, até a gestão.