Saúde

Santa Casa de Porto Alegre adere ao programa Agora Tem Especialistas e fará mais 6,7 mil cirurgias eletivas em 15 meses

Instituição, que gerará R$ 25 milhões em créditos tributários junto ao Ministério da Saúde para esta adesão, afirma que, num primeiro momento, poderá cobrir demanda com os recursos clínicos que possui

Ministério da Saúde anuncia adesão da Santa Casa de Porto Alegre ao programa Agora Tem Especialistas | E/D: João Luiz Dornelles, superintendente-adjunto do Ministério da Saúde no RS; Jader Pires, diretor-geral da Santa Casa de Porto Alegre; Fernando Ritter, Secretário de Saúde de Porto Alegre, e Marina Manzano, apoiadora do programa Agora Tem Especialistas no RS
Ministério da Saúde anuncia adesão da Santa Casa de Porto Alegre ao programa Agora Tem Especialistas | E/D: João Luiz Dornelles, superintendente-adjunto do Ministério da Saúde no RS; Jader Pires, diretor-geral da Santa Casa de Porto Alegre; Fernando Ritter, Secretário de Saúde de Porto Alegre, e Marina Manzano, apoiadora do programa Agora Tem Especialistas no RS Foto : Camila Cunha

A Santa Casa de Porto Alegre anunciou sua adesão ao programa de redução de filas de consultas e cirurgias eletivas Agora Tem Especialistas, do governo federal, e irá realizar 6.699 cirurgias eletivas em 15 meses, deste mês até dezembro de 2026, com foco em especialidades como oftalmologia, oncologia (incluindo mama), aparelho digestivo, ginecologia, cardiovascular e traumatologia/ortopedia. O anúncio ocorreu nesta sexta-feira, com a presença da diretoria do hospital, representantes do Ministério da Saúde e do secretário de Saúde da Capital, Fernando Ritter.

Com isso, a instituição espera reduzir pela metade sua fila interna, estimada em 15 mil pacientes. O programa do ministério troca dívidas tributárias de hospitais por atendimentos, mas, como a instituição filantrópica não as possui, a Santa Casa fará a geração de créditos tributários, estimados em cerca de R$ 25 milhões, e abater os tributos nos procedimentos. A instituição, a maior prestadora de serviços do SUS no Rio Grande do Sul no sistema filantrópico, é responsável por cerca de 10% dos procedimentos de média e alta complexidade no Estado.

“A Santa Casa entrar nesse programa também é um bom recado sobre a importância que ele possui”, disse o recém-empossado diretor-geral da Santa Casa, Jader Pires. Em um primeiro momento, o complexo afirma ter condições de atender à estrutura do programa com o corpo clínico que possui, hoje com três mil médicos, e não precisará fazer novas contratações. Leitos da Operação Inverno, da Prefeitura, que está em sua etapa final, serão utilizados no Agora Tem Especialistas. “Nossas chefias de serviço, residentes, todos vão trabalhar neste programa. Logicamente, teremos de ser mais eficientes, fazer um giro melhor de leitos. Mas, se necessário for, faremos atendimentos à noite, no terceiro turno e mutirões nos finais de semana. Estamos prontos para isso”, acrescentou Pires.

A reunião realizada nesta sexta, acompanhada online pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, também abrangeu a assinatura do termo de adesão de outros hospitais do país ao programa, algo ainda não realizado pela Santa Casa, porém esta assinatura deverá ser feita nos próximos dias. Além desta, oito instituições gaúchas estão com processo avançado de inserção no programa, e há conversas com um total de 12, incluindo de Porto Alegre, porém seus nomes não foram divulgados. Em todo o país, cerca de 60 das mais de cem instituições que manifestaram interesse já tiveram suas propostas aprovadas pelo Ministério da Saúde.

A apoiadora do programa Agora Tem Especialistas no RS, Marina Manzano, disse que a Santa Casa está com processo mais adiantado do que outras instituições gaúchas que solicitaram adesão. “Acreditamos que no Rio Grande do Sul, a maior parte das instituições que já manifestaram interesse comecem esse ano ainda (os atendimentos)”, afirmou ela. Ritter disse que os pacientes a serem atendidos são de Porto Alegre e da macrorregião de saúde metropolitana, embora a Santa Casa seja referência, em algumas especialidades, para centenas de municípios do RS.

Ele afirmou ainda que, neste ano, houve um crescimento de pessoas de fora da Capital nas portas de entrada das emergências, exemplificando com a própria Santa Casa, com cerca de 60% dos pacientes nesta situação sendo de outros municípios. “Facilita para a gente poder andar esta fila. O SUS Gaúcho surgiu, estão saindo as portarias, e espero que tudo isso possa nos dar um alento, inclusive no interesse também de outros municípios de reter seus pacientes. Precisamos reduzir a pressão na fila para fazer com que as pessoas não agudizem”, comentou o secretário.

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