Saúde

Semana se inicia com emergências de hospitais e UPAs lotadas em Porto Alegre

Dez das 11 unidades monitoradas pela Secretaria Municipal de Saúde operavam com mais de 100% da lotação na manhã desta segunda-feira

UPA Moacyr Scliar, na Zona Norte, opera acima da capacidade nesta segunda-feira
UPA Moacyr Scliar, na Zona Norte, opera acima da capacidade nesta segunda-feira Foto : Pedro Piegas

Eram por volta das 6h15min desta segunda-feira quando João Jerônimo Oliveira, de 47 anos, morador do bairro Rubem Berta, chegou na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Moacyr Scliar, na Zona Norte, em busca de atendimento médico. Quatro horas depois, por volta das 10h, ele ainda aguardava, sentado em um banco no lado de fora da unidade, ser chamado para o consultório médico.

“Vim pois estou com uma hérnia. Era para ter vindo no domingo, mas quis evitar pois estava lotada. Estou até agora esperando. Dentro da UPA tem ainda mais gente esperando. Se eu vim cedo e ainda aguardo, imagina quem chegar agora pela manhã. Vai esperar até a noite”, contou o paciente, que já havia passado pela triagem e estava com uma pulseira com adesivo verde que, segundo o protocolo de Manchester, tem uma situação pouco urgente e pode esperar até 120 minutos para ser atendido.

A situação de superlotação na UPA Moacyr Scliar se repetiu também em outros locais de atendimento de emergência de pacientes adultos em Porto Alegre na manhã desta segunda. Conforme o dashboard da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), dez das 11 unidades monitoradas operavam com mais de 100% da lotação.

Na UPA Moacyr Scliar, o índice de superlotação estava em 229,41%, com 39 pessoas internadas em observação para os 17 leitos disponíveis. Já nas outras UPAs, a situação estava mais crítica no Bom Jesus, com 414,29% de superlotação, seguido pela unidade da Cruzeiro do Sul com 244,44% e pelo Pronto Atendimento da Lomba do Pinheiro com 237,50%.

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Já nas emergências dos sete hospitais monitorados, o maior índice de superlotação era registrado no Hospital de Clínicas, com 377,78%. No local, haviam 34 pacientes internados para nove leitos disponíveis. Desde janeiro, as emergências adulto e pediátrica do hospital operam com restrições devido à realização de obras estruturais. Na entrada do local, uma placa foi instalada orientando que os pacientes busquem atendimento em outras unidades até o dia 16 de março.

Além dele, o Hospital São Lucas operava com 340% de superlotação, seguido pelo Instituto de Cardiologia com 214,29%, Santa Casa com 192,86%, Hospital Restinga e Extremo Sul com 172,22% e Hospital Conceição com 135,29%. Apenas a unidade de emergência adulto do Hospital Vila Nova operava com menos de 100% de ocupação. Já na emergência pediátrica, o único local com operação acima dos 100% era a unidade do Hospital de Clínicas, com lotação de 128,57%.

Em nota, a SMS ressaltou que parte da demanda dos pacientes, principalmente os casos de menor gravidade, poderia ser atentida nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). Além disso, a pasta ressaltou que a demanda também aumentou em função da procura por atendimento por pacientes de fora de Porto Alegre, moradores de outras cidades da região Metropolitana.

Confira a nota completa da Prefeitura:

A Secretaria Municipal de Saúde informa que a procura pelos prontos-atendimentos da Capital e UPA Moacyr Scliar tem sido motivada por uma ampla variedade de sintomas clínicos, crônicos, respiratórios, digestivos, cardiovasculares e dermatológicos. No entanto,observa-se que muitos desses casos são de menor gravidade e poderiam ser atendidos nas unidades de saúde, evitando a sobrecarga dos serviços de urgência e emergência.

Os prontos-atendimentos são destinados prioritariamente a situações de urgência e emergência, seguindo o Protocolo de Manchester, que classifica a gravidade dos pacientes e garante que os casos mais graves sejam atendidos primeiro. Diversas unidades de saúde contam com horários diferenciados, entre 18 e 22 horas. Os canais do 156 ajudam a esclarecer dúvidas.

Os leitos clínicos de enfermaria são os mais demandados pela UPA e pelos PAs, e a taxa de ocupação de 90% dos hospitais indica que a maioria dos leitos está ocupada, resultando em dificuldades para acomodar novos pacientes e aumentando o tempo de espera. Cabe ressaltar que a demanda aumentou ainda mais com o fechamento de serviços na região Metropolitana, fazendo com que as pessoas procurem a Capital. Mais de 40% dos atendimentos da UPA Moacyr Scliar são da Grande Porto Alegre e outros mais de 15% nos demais prontos atendimentos (Cruzeiro do Sul, Bom Jesus e Lomba do Pinheiro).