Há dez anos, o mês de setembro passou a ser dedicado aos cuidados com saúde mental e a prevenção ao suicídio por meio da campanha “Setembro Amarelo”. Em 2025, o tema da ação é “Conversar pode mudar vidas”, que tem como foco reforçar que o diálogo é uma ferramenta poderosa para acolher quem sofre em silêncio.
O Setembro Amarelo no Brasil foi idealizado no fim de 2014 e colocado em prática no ano seguinte. É resultado da parceria entre o Conselho Federal de Medicina (CFM), Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e do Centro de Valorização da Vida (CVV).
O dia 10 de setembro é o Dia Mundial de Combate ao Suicídio. Contudo, as ações não se limitam apenas a um mês. Durante o ano inteiro as entidades promovem ações que visam estimular a valorização da vida.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 700 mil pessoas perdem a vida para o suicídio a cada ano no mundo inteiro, sendo que 77% dos casos acontecem em países de média ou baixa renda. Esses números são maiores que os óbitos por HIV, malária, câncer de mama, guerras e até homicídios, conforme a OMS.
“Todos os anos nós repetimos essa campanha com o intuito de orientar a população a reconhecer precocemente os sinais não do risco de suicídio, mas do adoecimento psíquico que pode levar ao risco de suicídio, notadamente as depressões”, afirma o médico psiquiatra Emmanuel Fortes Silveira Cavalcanti, 1º vice-presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM).
Adriana, voluntária do CVV desde 2013, acompanhou o surgimento da campanha “setembro amarelo”. Para ela, após uma década da ação, o movimento “já anda sozinho”. Os voluntários da organização não-governamental se identificam apenas com o primeiro nome.
“Hoje os órgãos de saúde todos já colocam balõezinhos amarelos, já pintam de amarelo e tal. Então, Setembro Amarelo já é uma campanha que tá independente do CVV. Nessa época aumentam as ligações. Então, a gente se dedica ao plantão e não tanto a estar na rua divulgando, pois ele tá se divulgando sozinho”, pontua Adriana.
De acordo com a voluntária, além do mês de setembro, motivado pela ampla divulgação no período, o número de ligações pelo 188 do CVV também cresce entre o Natal e o Ano Novo. Assim como outras datas comemorativas, esse é um período de fragilidade emocional, no qual as pessoas ficam mais sensíveis por motivos diversos, como distanciamento da família e círculo de convívio no período festivo.
Outro voluntário do CVV, Oro, comenta que a sociedade brasileira “acolheu tão bem” o Setembro Amarelo que a organização já não faz tantas ações, como caminhadas, para chamar atenção da prevenção ao suicídio, pois outras diversas entidades divulgam o CVV e o serviço que oferece, então os voluntários se dedicam a atender quem procura por ajuda, pois devido a ampla divulgação, a busca pelo CVV cresce no período.
Outra atividade que cresce durante o mês de setembro é a busca por palestras sobre prevenção ao suicídio. A atividade também é oferecida pelo CVV e pode ser solicitada pelo site. Empresas e escolas estão entre os principais solicitantes.
Mortes no Brasil
Dados da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS), do Ministério da Saúde, mostram que em uma década os suicídios aumentaram 43% no Brasil. Em 2010, eram 9.454 e em 2019 subiu para 13.523.
O levantamento indica que entre os adolescentes o aumento foi de 81%, indo de 3,5 suicídios por 100 mil adolescentes para 6,4. No ano de 2021, 15.507 suicídios foram notificados no Brasil, representando a segunda principal causa de mortes entre adolescentes de 15 a 19 anos e a quarta principal entre jovens de 20 a 29 anos.
A taxa de suicídio entre homens no Brasil é três vezes maior que a de mulheres. Entre homens, a taxa de suicídio aumenta progressivamente com a idade, atingindo seu pico nos idosos com mais de 70 anos. Já entre as mulheres, observa-se risco mais elevado nas adolescentes de 15 a 19 anos.
Outro dado informado pela pasta é que a taxa de suicídio entre indígenas no país é três vezes maior que a da população geral.
Ainda segundo o Ministério da Saúde, os estados brasileiros com as maiores taxas de suicídio, em 2021 foram Rio Grande do Sul, Piauí, Mato Grosso do Sul, Roraima, Santa Catarina e Tocantins.
RS está entre as maiores taxas de mortes
De acordo com Secretaria Estadual de Saúde (SES), o Rio Grande do Sul “historicamente, apresenta as maiores taxas de mortalidade por suicídio do país”. Conforme a pasta, entre 2015 e 2023, as taxas de mortalidade por suicídio no Estado aumentaram 32,17%, passando de 10,8 para 14,38 por 100 mil habitantes. Esses dados foram divulgados em setembro do ano passado, portanto sem números totais. Porém, até a divulgação do relatório, foram registradas 1.548 mortes por esse agravo.
O boletim do Estado mostra que 80,04% dos suicídios registrados em 2023, foram de pessoas do sexo masculino e 19,96% do sexo feminino. Portanto, o sexo masculino superou em 4 vezes o valor atingido pelo sexo feminino.
Entre 2015 e 2023, houve 11.205 notificações de lesão autoprovocada, sendo que aproximadamente 70% foram praticadas por mulheres. Ao contrário dos homens, são elas que avolumam os índices de tentativa de suicídio, ainda que os óbitos por esse agravo sejam menores dentre mulheres, segundo a pasta de Saúde estadual.
O levantamento referente a 2024 ainda não foi divulgado, a pasta disse ao Correio do Povo que os dados devem ser revelados ainda em setembro, porém sem data definida. Até a publicação dessa matéria o boletim não havia sido publicado pela SES.
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Atenção cuidadosa
O site setembroamarelo.org.br, assinado pelo CVV, reúne diversas informações sobre a prevenção ao suicídio e canais de ajuda para quem precisa. O portal também orienta para uma atenção cuidadosa e para possíveis pequenas mudanças que podem indicar um pedido de ajuda.
- Não gostar mais de coisas que curtia antes;
- Frases como “preferia estar morto” ou “quero desaparecer”;
- Achar que os outras ficarão melhores após a sua morte;
- Piora de desempenho na escola ou trabalho;
- Isolar-se e não ter esperança no futuro;
- Achar que nada nem ninguém pode ajudar;
- Descuido com a aparência;
- Alterações no apetite e no sono.
Vale ressaltar que ao identificar esses ou outros comportamentos a recomendação é buscar por ajuda profissional, com um psiquiatra.
Você precisa de ajuda?
O CVV funciona todos os dias 24 horas. Se você precisa de ajuda pode ligar gratuitamente para 188. Não é necessário se identificar. Você será atendido por um voluntário do serviço de acolhimento emocional. A ligação também não tem limitação de tempo.
Se preferir, pode conversar via chat, por meio deste link. Ou ainda através do e-mail apoioemocional@cvv.org.br. Contudo, nessas modalidades há horários de atendimento:
- Domingos: 15h às 00h
- Segundas-feiras: 08h às 00h
- Terças-feiras: 08h às 00h
- Quartas-feiras: 08h às 00h
- Quintas-feiras: 08h às 00h
- Sextas-feiras: 13h às 00h
- Sábados: 13h às 00h