Representantes do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) fizeram, na manhã desta quinta-feira, uma manifestação em frente à emergência psiquiátrica do IAPI, no bairro Passo d’Areia, zona Norte de Porto Alegre, se posicionando contra o modelo de fechamento das duas emergências psiquiátricas da Capital, tanto esta quanto a da Cruzeiro do Sul, substituindo por seis Centros de Atenção Psicossocial (Caps), quatro adultos e dois infantis.
Médicos se reuniram com cartazes em frente ao local, que realizou, segundo o sindicato, citando dados da Prefeitura, uma média de 900 atendimentos por mês entre janeiro e julho deste ano. Procurada, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) contestou as afirmações do órgão de classe. Para o presidente do Simers, Marcelo Matias, a abertura de Caps é válida em questões como o acompanhamento psiquiátrico regular, porém, no modelo atual, eles não têm condições de atender questões urgentes.
“Precisamos olhar de uma forma mais global a importância do atendimento das emergências e, portanto, temos que construir com a Prefeitura uma solução mais adequada”, salientou ele. Inicialmente, esta troca havia sido agendada para o final de outubro, porém foi adiada para novembro. Levar os pacientes para outras emergências gerais pode também, na visão do Simers, sobrecarregar o sistema de saúde já existente, que vive uma crise de superlotação, e ainda seria preciso uma capacitação mais adequada aos profissionais.
“Parte do problema que Porto Alegre enfrenta é pela ausência de um atendimento adequado do ponto de vista psiquiátrico na Grande Porto Alegre. Portanto, pelos cálculos da Prefeitura, 50% dos pacientes que afluem para nossas emergências psiquiátricas são do interior. Não é a solução para o problema fechar a emergência psiquiátrica, mas sim criar uma estrutura para o atendimento das emergências que seja regional”, opinou o presidente do Simers.
O presidente do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul, Marcelo Matias, acompanhado por representantes do Núcleo de Psiquiatria e por diretores da entidade médicafazem ato em frente a Emergência Psiquiátrica do IAPI em defesa das emergências psiquiátricas no IAPI e no Pronto Atendimento Cruzeiro do Sul (PACS), ameaçadas de fechamento
"Vamos ampliar a oferta de serviços em saúde mental”, defende Ritter
O secretário municipal de Saúde de Porto Alegre, Fernando Ritter, disse que a emergência psiquiátrica é um “fracasso da rede de cuidado e saúde”, e ainda que este é um local que somente existe na Capital gaúcha, onde foi criado, e em mais nenhum lugar do Brasil. “Vamos ampliar a oferta de serviços em saúde mental com os seis novos Caps, que serão espalhados pela cidade. Aumentaremos em um terço nossa capacidade de atender isto”, comentou Ritter. Justificou ainda que pacientes psiquiátricos já são atendidos na rede de saúde clínica e hospitalar, com mais de 400 leitos na Capital.
Com os novos locais, serão mais 30, no mínimo, disse o secretário. “O Simers não está vivendo a realidade da gente”, disse Ritter. “Estamos trabalhando isso há uns dois anos, com a transformação de Caps II em Caps III. Eles (Simers) tiveram conhecimento agora deste processo, mas a gente já vinha conversando com o grupo antigo há muito tempo. Já houve capacitações e vamos intensificar”, afirmou o secretário.
Ele justificou que o adiamento do fechamento foi por avaliação interna da própria pasta. “Se houver um sistema de saúde mental dependente de emergência psiquiátrica, está errado. E o que mais queremos é diminuir a emergencialização no município”, afirmou. Ritter também refutou os números trazidos pelo sindicato sobre a origem dos pacientes, dizendo que cerca de 30% deles são de fora de Porto Alegre.