Saúde

Tuberculose mata mais de 1,2 milhão de pessoas por ano, aponta OMS

Levantamento indica que 87% das novas infecções em 2024 se concentraram em apenas 30 países

Relatório da OMS chama a atenção para fatores de risco que impulsionam a epidemia, como desnutrição, HIV, diabetes, tabagismo e consumo de álcool
Relatório da OMS chama a atenção para fatores de risco que impulsionam a epidemia, como desnutrição, HIV, diabetes, tabagismo e consumo de álcool Foto : Fabrice Coffrini / AFP / CP

A Tuberculose (TB) permanece entre as doenças infecciosas mais letais do mundo, segundo relatório global divulgado nesta quarta-feira (12) pela Organização Mundial da Saúde (OMS). No ano passado, a doença causou cerca de 10,7 milhões de novos casos e resultou em mais de 1,2 milhão de mortes globalmente.

O diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, classificou a situação como "inadmissível", uma vez que a TB é prevenível e curável. A OMS reafirma o compromisso de trabalhar com os países para acelerar o progresso e alcançar a meta de eliminação da doença até 2030.

Concentração geográfica

Segundo a OMS, 87% das novas infecções em 2024 se concentraram em apenas 30 países. Desses, oito são responsáveis por 67% do total global:

  • Índia (25%)
  • Indonésia (10%)
  • Filipinas (6,8%)
  • China (6,5%)
  • Paquistão (6,3%)
  • Nigéria (4,8%)
  • República Democrática do Congo (3,9%)
  • Bangladesh (3,6%)

Embora algumas regiões demonstrem melhorias, a recuperação global ainda ocorre de forma lenta. Entre 2023 e 2024, a taxa mundial de novos casos caiu apenas 2%, e as mortes diminuíram 3%. No período de 2015 a 2024, o continente africano registrou uma redução de 28% na incidência, enquanto a Europa teve queda de 39% na taxa de novos casos.

Sintomas, fatores de risco e desafios estruturais

Transmitida pelo ar e espalhada principalmente em ambientes com aglomeração, a TB afeta os pulmões, mas pode acometer rins e sistema nervoso. Os sintomas mais frequentes incluem tosse com secreção, cansaço excessivo e emagrecimento acentuado. Em casos graves, pode levar à insuficiência respiratória.

O relatório da OMS chama a atenção para fatores de risco que impulsionam a epidemia, como desnutrição, HIV, diabetes, tabagismo e consumo de álcool, além de questões estruturais como pobreza e dificuldade de acesso a serviços de saúde.

No Brasil, o País registrou 84.308 novos diagnósticos no último ano. Um estudo da Fiocruz destacou que quase 40% das infecções no Brasil têm origem em transmissões iniciadas no sistema prisional. "O que vemos nas prisões são, em sua maioria, pessoas negras e pardas, de baixa renda e escolaridade, que acabam expostas a condições que aumentam o risco de adoecimento", disse o infectologista Julio Croda.

A cobertura de proteção social, estratégia que busca mitigar os determinantes sociais, varia drasticamente entre os 30 países com alta carga da doença, com 19 deles apresentando níveis inferiores a 50%.

Subfinanciamento e metas não alcançadas

Apesar de o tratamento contra a tuberculose ter salvado 83 milhões de vidas desde 2000, a OMS alerta para graves desafios de financiamento. O investimento global está estagnado desde 2020:

Em 2024, apenas US$ 5,9 bilhões foram destinados à prevenção, diagnóstico e tratamento.

A meta anual prevista pela OMS para 2027 é de US$ 22 bilhões.

A OMS alerta que a manutenção desse subfinanciamento pode levar a até 2 milhões de mortes adicionais e 10 milhões de novos casos entre 2025 e 2035. A pesquisa também sofre com a falta de recursos, atingindo apenas 24% da meta definida pela OMS para inovação em 2023.

Apesar dos desafios, 8,3 milhões de pessoas foram diagnosticadas e iniciaram tratamento em 2024, o equivalente a 78% dos que adoeceram. Além disso, 5,3 milhões de indivíduos com alto risco receberam terapia preventiva, superando os 4,7 milhões de 2023.

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