Algumas espécies de insetos vêm causando incômodos à comunidade de Porto Alegre nas últimas semanas, com a combinação entre temperaturas mais altas e chuvas. Entre eles, cupins, vespas, aranhas e escorpiões, visitantes que até podem ser inconvenientes aos seres humanos, porém necessários ao equilíbrio natural.
Especialmente no Centro Histórico, a presença destes últimos motiva ações frequentes de conscientização e captura por parte da Diretoria de Vigilância em Saúde (DVS) da Secretaria Municipal da Saúde (SMS). Os riscos no contato com estes animais existem, por isso, algumas orientações à população são igualmente importantes, destaca o biólogo sanitarista Jáder Cardoso, da Secretaria Estadual da Saúde (SES).
"O período do verão caracteriza-se como uma fase sazonal de aumento significativo na densidade populacional e na atividade de diversas espécies de insetos e aracnídeos. Nesta estação, as condições ambientais tornam-se especialmente favoráveis à sua sobrevivência e rápida reprodução", disse ele. Em julho do passado, pela primeira vez o escorpião-amarelo-do-Nordeste (Tityus stigmurus), típica da região Nordeste, foi encontrado em Porto Alegre, por meio de três capturas.
Até então, somente o escorpião-amarelo (Tityus serrulatus). Ambas as espécies são consideradas de risco. Em Porto Alegre, somente os hospitais de Pronto Socorro (HPS) e Cristo Redentor possuem o soro antiescorpiônico. Ao avistar um destes insetos, o cidadão deve acionar o serviço 156, ou entrar em contato com a Vigilância em Saúde, pelos telefones 3289-2492 ou 3289-2428.
Ferroadas podem evoluir perigosamente
Conforme a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai), a ferroadas de insetos himenópteros como abelhas, vespas e formigas geralmente são apenas incômodas, mas podem evoluir para a anafilaxia, considerada a reação alérgica mais grave entre as alergias. Neste caso, o único medicamento que pode salvar a vida de uma pessoa com esta condição é a adrenalina autoinjetável, ainda não vendida no Brasil.
O projeto de lei 85/2024, do deputado federal Geraldo Resende (PSDB/MS), estabelece o fornecimento gratuito da caneta deste medicamento no Sistema Único de Saúde (SUS), já com parecer favorável pelo relator. O assunto segue tramitando nas comissões da Câmara dos Deputados desde o ano passado, inclusive com emenda determinando que espaços públicos com grande circulação de pessoas tenham esta caneta disponível. Segundo a Asbai, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aguarda a solicitação de registro do dispositivo.
Algumas dicas
A gravidade do assunto é particularmente destacada no caso dos mosquitos, e mais ainda no Aedes aegypti, causador da dengue, chikungunya e zika. Água parada acumulada em recipientes como calhas, pneus, vasos de plantas e outros locais funcionam como criadouros ideais, diz o especialista. Ao deixar seus abrigos naturais, aranhas e escorpiões são também mais ativos nesta época do ano, uma vez que seu principal alimento, outros insetos, também apresentam maior atividade.
"Cupins, por sua vez, encontram condições ideais para sua proliferação em ambientes com madeira úmida, situação comum após períodos prolongados de chuva, podendo ocasionar danos estruturais a edificações. O verão também favorece o aumento da atividade de abelhas e vespas, que intensificam a busca por alimento e locais adequados para a construção de ninhos", comentou ele.
O ideal é, segundo Cardoso, além de limpar recipientes que potencialmente podem se tornar criadouros, também manter caixas d'água bem vedadas, realizar manutenção das piscinas, instalar telas em ralos, portas e janelas; fechar frestas e buracos em paredes e pisos; evitar acúmulo de entulho, papelão, madeira e restos orgânicos nos pátios.