Saúde

Inimigo invisível sob a areia: o bicho geográfico; veja sintomas e como tratar

Infecção causa coceira intensa e desenhos na pele e é causada por parasitas que vivem no intestino de cães e gatos

Bicho geográfico pode estar presente em praias
Bicho geográfico pode estar presente em praias Foto : Pedro Piegas

Com a chegada das temperaturas altas e o aumento das visitas às praias e parques, cresce também o alerta para uma infecção cutânea comum, mas bastante incômoda: a Larva Migrans Cutânea, popularmente conhecida como bicho geográfico.

Conhecida tecnicamente como Larva Migrans, a infecção causa coceira intensa e desenhos na pele. No verão, a chance de contrair essa condição aumenta e por isso especialistas alertam para os cuidados durante a estação mais quente do ano.

Embora o nome pareça curioso, a condição é causada por parasitas que vivem no intestino de cães e gatos. Ao entrar em contato com a pele humana, esses microrganismos dão origem a lesões que lembram o traçado de um mapa. Vale ressaltar que adultos e crianças podem sofrer com essa infecção.

O que é e como acontece o contágio?

O bicho geográfico é causado por larvas de parasitas dos gêneros Ancylostoma. O ciclo começa quando animais infectados defecam na areia ou na terra. Os ovos presentes nas fezes eclodem, liberando larvas que ficam à espreita de um hospedeiro.

Diferente do que ocorre nos animais, a larva não consegue atravessar as camadas profundas da pele humana. Por não encontrar o caminho para a corrente sanguínea, ela passa a caminhar sem destino sob a epiderme, criando os túneis avermelhados característicos.

Sintomas: mais que uma questão estética

O primeiro sinal costuma ser um pequeno ponto vermelho e elevado no local da entrada da larva (geralmente pés, mãos ou nádegas). Os principais sintomas incluem:

  • Coceira intensa: tende a piorar durante a noite.
  • Linhas tortuosas: lesões avermelhadas que avançam cerca de 1 a 2 cm por dia.
  • Inchaço e vermelhidão: no local onde a larva está ativa.
  • Formação de bolhas: em casos de maior sensibilidade ou inflamação.

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Formas de tratamento

A boa notícia é que a Larva Migrans tem cura e, em alguns casos, pode até desaparecer sozinha (embora a espera não seja recomendada devido ao desconforto). O tratamento geralmente envolve:

  • Pomadas e cremes: medicamentos à base de tiabendazol são aplicados diretamente sobre a lesão.
  • Medicamentos orais: em casos de lesões múltiplas ou quando o tratamento tópico não surte efeito, o médico pode prescrever antiparasitários como a ivermectina ou o albendazol.
  • Compressas de gelo: ajudam a aliviar a coceira e o processo inflamatório.

Importante: nunca tente "furar" a pele ou retirar a larva com agulhas em casa. Isso pode causar infecções bacterianas secundárias graves.

Como prevenir?

A prevenção é baseada no bloqueio do contato da pele com solos possivelmente contaminados e na posse responsável de animais de estimação:

  • Use calçados: evite caminhar descalço em areias de praias frequentadas por animais ou em gramados públicos.
  • Cuidado com as toalhas: ao sentar na areia, utilize cadeiras ou esteiras grossas.
  • Saúde animal: mantenha a vermifugação dos seus pets em dia e recolha sempre as fezes do seu animal.
  • Higiene: lave bem os pés e as mãos após o contato com terra ou areia de parques infantis.

A conscientização é a melhor ferramenta para aproveitar o lazer sem riscos à saúde. Ao notar qualquer rastro linear na pele acompanhado de coceira, procure um dermatologista ou uma unidade de saúde.