Coceira, manchas na pele, descamação e alterações nas unhas. Esses sintomas, muitas vezes ignorados ou tratados com "receitas caseiras", são os sinais clássicos das micoses, mais comuns durante o calor. Embora pareçam inofensivas, essas infecções causadas por fungos podem se tornar crônicas e abrir portas para bactérias mais perigosas se não forem tratadas adequadamente.
Para entender melhor esse problema que afeta milhões de brasileiros e levando em consideração a proximidade do verão, preparamos um guia completo sobre o que são as micoses, seus tipos e como manter distância delas.
O que é a micose e o que a causa?
As micoses são infecções provocadas pelo crescimento excessivo de fungos. É importante lembrar que convivemos com fungos o tempo todo — eles estão no ar, no solo, nos animais e até na nossa própria pele, vivendo em equilíbrio.
O problema começa quando esse equilíbrio é rompido. Os fungos encontram condições ideais para se reproduzir rapidamente quando encontram três fatores principais:
- Calor;
- Umidade;
- Queda na imunidade ou lesões na pele.
Como se alimentam de queratina (proteína presente na pele, unhas e cabelos), eles passam a "digestar" essas estruturas, causando os sintomas visíveis.
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Principais tipos de micose
Nem toda micose é igual. Elas se manifestam de formas diferentes dependendo do fungo causador e da região do corpo afetada.
1. Tinhas (tineas)
São as micoses mais comuns, apresentando-se como manchas vermelhas, arredondadas e que coçam muito.
- Pé de atleta (frieira): ocorre entre os dedos dos pés. Causa descamação, fissuras e coceira intensa. É muito comum em quem usa sapatos fechados por longos períodos.
- Tinha do corpo: manchas avermelhadas com bordas bem delimitadas que descamam no centro.
- Tinha da virilha: manchas avermelhadas e úmidas na região interna das coxas, favorecidas pelo suor.
2. Onicomicose (micose de unha)
Uma das mais difíceis de tratar. A unha pode ficar amarelada, grossa, deformada ou se descolar da pele. Geralmente não dói no início, o que faz com que muitos adiem a ida ao médico.
3. Pitiríase versicolor ("pano branco")
Muito comum no verão. Caracteriza-se por manchas brancas (ou às vezes acastanhadas) no pescoço, tronco e braços. O fungo impede a pele de produzir melanina ao tomar sol, criando o contraste.
4. Candidíase
Causada pelo fungo Candida. Pode afetar a boca ("sapinho"), a região genital e dobras da pele (embaixo dos seios ou axilas), provocando vermelhidão intensa e ardor.
Como funciona o tratamento contra micoses?
A regra de ouro é: não se automedique. O uso incorreto de pomadas (especialmente as que contêm corticoides) pode mascarar os sintomas e fazer o fungo ficar mais forte. Por isso, o recomendado é procurar um médico dermatologista.
O tratamento deve ser indicado por um dermatologista e varia conforme o tipo:
- Tópico: uso de cremes, loções, sprays ou esmaltes antifúngicos. Usado em casos leves.
- Oral: comprimidos antifúngicos. Necessário em casos extensos ou em micoses de unha persistentes.
Mudanças de hábitos podem ajudar na prevenção
Como os fungos amam lugares quentes e úmidos, a prevenção foca em manter o corpo seco e arejado. Confira o checklist de prevenção:
- Secar bem o corpo: atenção redobrada entre os dedos dos pés, virilha e dobras da pele após o banho.
- Não compartilhar itens: toalhas, alicates de unha, bonés e calçados podem transportar fungos de uma pessoa para outra.
- Chinelos em áreas comuns: jamais pise descalço em vestiários, saunas e bordas de piscina.
- Roupas adequadas: prefira tecidos de algodão, que deixam a pele respirar. Evite roupas sintéticas e muito justas no calor.
- Material de manicure: leve seu próprio kit (alicate, lixa, espátula) ao salão ou certifique-se de que o material foi esterilizado em autoclave.
A micose é uma condição médica infecciosa, não apenas um incômodo visual. Ao perceber coceira persistente ou alterações na cor e textura da pele ou unhas, procure um dermatologista. O diagnóstico precoce encurta o tempo de tratamento e evita que a infecção se espalhe para outras pessoas da família.