Cerca de 400 pessoas, entre moradores de Sapucaia do Sul e também de São Leopoldo, saíram em caminhada na manhã deste domingo manifestando contrariedade ao corte de árvores em uma grande área da estrada do Horto Florestal, considerada pela comunidade o pulmão natural de Sapucaia do Sul. Os manifestantes se concentraram em frente à prefeitura de Sapucaia e seguiram em direção à área desmatada. Considerado o maior episódio de desmatamento na região nos últimos anos, a atividade – autorizada pela Fepam – tem causado revolta e indignação principalmente entre aqueles que utilizam o espaço para praticar atividades físicas.
Um dos coordenadores da mobilização, Vitor Comaif, explica que a principal reivindicação do grupo é que seja interrompido imediatamente o desmatamento na área. "Essa semana, após as nossas denúncias e a repercussão que caso tomou, eles intensificaram a derrubada de árvores. Tem muito caminhão saindo de lá, carregado de madeira. Exigimos um reflorestamento do local. Aquela área deve ser preservada."
Tiago Severo, que também está engajado na preservação do Horto, diz que existem muitas dúvidas e questionamentos que ainda não foram esclarecidos e que a comunidade está na busca de respostas. "Como foi autorizado este processo? Como foi feito usucapião daquela área, sendo uma área do Estado? Há uma série de perguntas sem respostas."
Edinei de Matos Silveira, que faz parte de um grupo de ciclistas, garante que a caminhada deste domingo é apenas o pontapé inicial das ações da comunidade contra o desmatamento da área. "A intenção é alertar a sociedade e cobrar dos órgãos públicos uma ação mais eficaz porque a causa é legítima. Precisamos salvar aquele lugar."
O prefeito de Sapucaia do Sul, Nestor Bernardes, reforçou que trata-se de uma área de 17 hectares que está sendo desmatada, com autorização da Fepam. "Já ingressamos com ofício na Fepam pedindo explicações. Também já ingressamos por duas vezes no Ministério Público, pedindo a reposição e replantio. Além disso, solicitamos à Patrulha Ambiental da Brigada Militar (Patram) que faça a fiscalização necessária, porque é uma área do estado. Estamos engajados com a comunidade em prol desta causa, pois é uma grande perda para Sapucaia do Sul", concluiu o prefeito de Sapucaia, ao lado da vice-prefeita de São Leopoldo, Regina Caetano, que manifestou apoio ao movimento.
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