Após sofrer desmoronamentos em diferentes pontos por conta de episódios de chuvas intensas em 2023 e, principalmente, na enchente de 2024, o talude do arroio Dilúvio, em um dos principais corredores viários de Porto Alegre, tem passado por um processo de reconstrução. Há mais de um ano e seis meses, quem passa pela avenida Ipiranga observa canteiros de obras em diversas partes nas proximidades do arroio, com intervenções que bloqueiam faixas da via e provocam congestionamentos.
Segundo o Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae), responsável pelas obras, o objetivo é reforçar a segurança e evitar o risco de novos desmoronamentos. A estrutura tem a responsabilidade de conter o transbordamento do Dilúvio, em caso de cheia. De sete trechos no total, com investimentos que somam cerca de R$ 9 milhões de recursos próprios do órgão, três foram finalizados no ano passado. Quatro pontos estão em obras desde o início de abril deste ano.
Ainda, há mais quatro pontos que também demandam reconstrução e estão em fase de projeto pelo corpo técnico do Dmae. Contatado, o órgão não informou uma previsão exata para começar.
Entrega teve atraso no cronograma por conta de chuvas intensas em 2025
Os primeiros três trechos de trabalhos começaram em janeiro de 2025 na esquina da avenida Ipiranga com a rua São Manoel, próximo à rua São Luís e também à rua Silva Só. O primeiro trecho a ser entregue foi no cruzamento da Ipiranga com a rua São Manoel, em frente a uma concessionária automotiva, no final de setembro. Já o trecho próximo à rua São Luís e o Planetário da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) foi entregue em dezembro, e teve um adiamento do prazo: a obra foi paralisada em junho de 2025, por conta das chuvas intensas que atingiram Porto Alegre ao longo do mês, afirmou o diretor-presidente do Dmae no ano passado. O atraso se deu por 40 dias.
Quanto ao trecho em frente ao antigo Ginásio da Brigada Militar, na rua Silva Só, no sentido centro-bairro, a finalização estava prevista inicialmente para o primeiro trimestre de 2026, mas acabou sendo antecipado, entregue em dezembro também. Desses três trechos de reconstrução, foram investidos R$ 6,5 milhões.
Quatro trechos em andamento
Já os outros quatro trechos do talude, nas imediações da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), que tiveram obras autorizadas em fevereiro e iniciadas em abril deste ano, seguem em andamento, e provocam alterações no trânsito ao longo da avenida Ipiranga. A obra está orçada em R$ 2,6 milhões.
Segundo o Dmae, a intervenção utiliza duas técnicas distintas de engenharia. A primeira, que está em andamento atualmente, consiste na recomposição da estrutura em concreto armado, com a fixação de pranchas sob o curso d’água. A segunda, que ainda vai ser iniciada, utiliza gabiões – estruturas metálicas preenchidas com pedras – empregadas para a estabilização do terreno.
Atualmente, a faixa da esquerda da avenida Ipiranga, no sentido centro-bairro, permanecerá bloqueada de forma contínua até o fim das obras, nas proximidades da rua Professor Cristiano Fischer. A segunda faixa será bloqueada diariamente, das 8h às 17h. De acordo com o Dmae, em razão das características da obra, os trabalhos são interrompidos em dias de chuva.
Quem passa próximo à Cristiano Fischer, observa, além das máquinas, um montante de areia dentro do arroio. Questionado, o órgão informou, porém, que a quantidade “não oferece riscos adicionais de alagamento à bacia do arroio”. Há, também, sacos de areia e argila – as bags –, que, segundo o Dmae, servem para desviar o curso d’água para o trabalho das equipes, sem a interferência da correnteza.
Já sobre o início das obras nos outros quatro pontos, onde a reconstrução também é necessária, o Dmae informou que o início “é condicionado à conclusão dos trechos já em andamento”. No entanto, o órgão não detalhou qual será o prazo de entrega destes trechos, apenas que será “no segundo semestre”, que compreende o período de julho a dezembro.
O órgão também acrescentou que o cronograma é definido “com base em critérios técnicos”, priorizando os trechos mais críticos, e considerando também o impacto das intervenções no trânsito. E que, por isso, as obras não são executadas simultaneamente.
Entenda a situação da reconstrução trecho a trecho:
Obras concluídas em 2025:
- Em frente a uma concessionária automotiva, na esquina da rua São Manoel (finalizada em setembro de 2025);
- Próximo à rua São Luís, junto ao Planetário da UFRGS (finalizada em dezembro de 2025);
- Em frente ao antigo Ginásio da Brigada Militar, próximo à rua Silva Só (finalizada em dezembro de 2025);
Obras em andamento:
- Quatro trechos nas proximidades da PUCRS (previsão de conclusão no segundo semestre);
Obras a serem iniciadas:
- Em frente à concessionária de energia elétrica, próximo à rua Vicente da Fontoura (sem previsão);
- Em frente a um laboratório, próximo à rua Santana (sem previsão);
- Em frente a um restaurante, próximo à rua Lício Cavalheiro (sem previsão);
- Em frente a uma revendedora automotiva, próximo à rua Vicente da Fontoura (sem previsão).