O Programa Construir Juntos, iniciativa da ONG Parceiros Voluntários, conclui sua edição de 2026 com resultados que reforçam a preparação de organizações sociais, escolas e comunidades do Rio Grande do Sul para enfrentar futuros eventos climáticos extremos. Criado a partir das ações emergenciais realizadas durante as enchentes de 2024, o programa beneficiou diretamente 11 municípios gaúchos, mobilizou 201 organizações da sociedade civil (OSCs) em atividades formativas e envolveu 36 escolas.
Entre as organizações participantes, 50 receberam um aporte de R$ 20 mil por meio do Fundo Semente para Resiliência. Além do subsídio financeiro, as entidades foram acompanhadas na elaboração de seus planos de contingência, com foco no fortalecimento institucional, na gestão de riscos e na continuidade dos serviços prestados às comunidades em situações de crise. Ao longo do programa, 323 pessoas participaram das formações em gestão, que somaram 200 horas de atividades.
Ao todo, 217 lideranças foram formadas e 50 ações preventivas foram desenvolvidas. O trabalho buscou transformar os aprendizados deixados pela tragédia climática de 2024 em estratégias permanentes de prevenção, resposta e recuperação nos territórios.
"O encerramento desta edição representa a consolidação de um trabalho coletivo construído a partir da escuta, da colaboração e das necessidades reais das comunidades. Mais do que apoiar a reconstrução, o Construir Juntos contribuiu para que organizações, escolas e lideranças estejam mais preparadas para agir diante de novos eventos climáticos e preservar o atendimento às pessoas que mais precisam", afirmou a superintendente da Parceiros Voluntários, Graziela Loureiro.
Formação nas escolas
O Construir Juntos também levou a temática da resiliência climática ao ambiente escolar. As ações envolveram 36 escolas e incluíram 266 horas de formação para professores, além de 390 horas de oficinas realizadas com estudantes. As atividades estimularam a compreensão sobre riscos climáticos, prevenção e cuidado coletivo, aproximando o tema do cotidiano das comunidades escolares. A proposta foi ampliar a capacidade de resposta das escolas e contribuir para a formação de uma cultura de prevenção desde a infância.
Professores e alunos participaram de atividades voltadas à identificação dos riscos presentes nos territórios e ao desenvolvimento de atitudes mais seguras e sustentáveis. "A resiliência climática precisa ser construída de forma contínua e compartilhada. Quando fortalecemos as organizações sociais, qualificamos lideranças e envolvemos professores e estudantes, ampliamos a capacidade dos territórios de prevenir riscos, proteger vidas e responder de maneira articulada às situações de emergência", acrescentou.
Atuação em 11 municípios
As ações do programa chegaram diretamente a Porto Alegre, Cachoeirinha, Canoas, Caxias do Sul, Estrela, Lajeado, Nova Prata, Pelotas, Santa Rosa, Sapucaia do Sul e São Leopoldo. Com formações, recursos financeiros, acompanhamento técnico e articulação entre diferentes setores, o Construir Juntos encerra esta edição deixando uma rede mais preparada para enfrentar crises e desenvolver respostas comunitárias de longo prazo.
A conclusão do programa também reafirma o papel das organizações da sociedade civil na reconstrução do Rio Grande do Sul. Por sua presença cotidiana nos territórios e proximidade com as populações mais vulneráveis, essas instituições são fundamentais para identificar necessidades, organizar respostas locais e assegurar a continuidade dos serviços essenciais diante de situações adversas.