Cidades

Corrente do Bem busca, entrega doações e faz empréstimos de equipamentos de saúde na região

Ação se solidificou depois da passagem do ciclone extratropical, em 2023, e ganhou ainda mais força entre São Leopoldo, Novo Hamburgo, Esteio, Sapucaia e Canoas após as enchentes de 2024

Silveirinha faz o intermédio do empréstimo de camas hospitalares, cadeiras de banho e de rodas; tudo é feito de coração, ele diz
Silveirinha faz o intermédio do empréstimo de camas hospitalares, cadeiras de banho e de rodas; tudo é feito de coração, ele diz Foto : Fernanda Bassôa / Especial CP

O projeto Corrente do Bem, uma rede de solidariedade que a cada ano ganha mais e mais parceiros, encabeçada pelo policial militar da reserva, Geraldo Silveira, foi criada para facilitar a busca e entrega de doações, seja de alimentos, roupas, fraldas, cobertores, ração para animais ou de itens de higiene, fazendo chegar até as mãos de quem realmente precisa.

O projeto que existe há 15 anos, mas que se solidificou depois da passagem do ciclone extratropical, em junho de 2023 e ganhou ainda mais força e se intensificou entre os municípios da Região Metropolitana após as enchentes de 2024, também faz o intermédio e encaminha o empréstimo de equipamentos de saúde para famílias vulneráveis com entes enfermos, como cadeiras de rodas, de banho, camas e colchões hospitalares. "Eu faço isso de coração, para ajudar as pessoas que realmente precisam."

Morador do bairro Lomba Grande, em Novo Hamburgo, área rural que faz divisa com São Leopoldo, Silveirinha ou Gegê, como também é conhecido entre amigos e colaboradores, ele sempre esteve pronto para ajudar o próximo, espírito que o manteve por anos dentro da corporação militar.

Ao lado de uma equipe de ao menos 30 voluntários, que auxiliam nos bastidores com gastos de gasolina, conserto do veículo, troca de pneu, intermediando contatos, atuando como "olheiros" e fornecendo informações de famílias que realmente necessitam de assistência, o sargento Silveira usa o galpão de casa como o depósito para guardar os equipamentos "parados" que ficam prontamente à disposição da comunidade.

Ele diz que a cada empréstimo de camas hospitalares e cadeiras de banho, quando a equipe resgata os materiais é geralmente porque a pessoa que estava usando, faleceu. "Então, na hora da devolução dos equipamentos, sempre ganhamos outros itens em virtude de que aquela pessoa não fará mais uso. Geralmente são doados colchões e fraldas geriátricas. Desta forma, nossa corrente se intensifica e cresce cada vez mais. Nossa ação é sem qualquer fim lucrativo." Segundo ele, quando há devoluções, os equipamentos passam por manutenção.

Pelo fato de ter atuado por muitos anos como brigadiano na região do Vale do Sinos, isso ajuda muito nos contatos e também na credibilidade da atuação do projeto pela região. Ao menos uma ligação ele recebe por dia pedindo algum tipo de ajuda, doação ou empréstimo. "O sentimento de gratidão é imenso. Nosso projeto atende famílias de Novo Hamburgo, São Leopoldo, Sapucaia do Sul, Esteio, Canoas e também na ilha dos Marinheiros em Porto Alegre."

Ele conta que durante a enchente de 2024, ficou por 35 dias dentro da água retirando móveis e pertences das pessoas. "Depois, resgatei muita gente. Em um terceiro momento, em parceria com um grupo de amigos, nós distribuímos 800 marmitas por dia para os atingidos. Isso foi muito emocionante. Ouvi relatos de cortar o coração."

A Corrente do Bem também se faz presente nas comunidades mais carentes em datas temáticas, como Dia das Crianças, Páscoa e por vezes, Natal. "Elaboramos cestinhas com pipoca, bala de goma, chocolate e pirulito e entregamos para as crianças em locais que, às vezes, você entra e dá vontade de chorar. Na primeira ação, fizemos 100 cestas. Na última, este número subiu para 400. Tudo é comprovado por notas e registro fotográfico, como uma espécie de prestação de contas."

Joseane Santos, que mora com a família no bairro Feitoria Madezatti, é uma das colaboradoras da Corrente do Bem que, além de ajudar, às vezes também é ajudada. "No ciclone, em 2023, o Silveira chegou aqui com carne, massa, botijão de gás, para fazer comida para o pessoal que tinha sido atingido. Agora, na enchente do ano passado, ele passava aqui e deixava todos os dias mais de 200 marmitas para a gente distribuir para quem estava com a casa totalmente embaixo da água e não tinha o que comer. Para o Silveira não tem mau tempo. Ele realmente ajuda as pessoas e não mede esforços para fazer isso."

Interessados em contribuir com o projeto, fazer doação ou solicitar algum tipo de ajuda, o contato pode ser feito pelo Instagram do sargento Silveira @sgt_geraldosilveira ou pelo telefone (51) 9.99046595.

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