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Efeitos do El Niño podem chegar a Pelotas no segundo semestre de 2026

Fenômeno climático e ações de prevenção foram debatidos

O encontro reuniu autoridades, técnicos, especialistas de universidades e representantes da comunidade
O encontro reuniu autoridades, técnicos, especialistas de universidades e representantes da comunidade Foto : Angélica Silveira / Especial / CP

Uma reunião com especialistas e técnicos das Universidades Federais de Pelotas (UFPel) e de Rio Grande (Furg) aconteceu no saguão de entrada da Prefeitura de Pelotas. Durante o encontro houve o alerta de que a cidade deverá sentir os efeitos do fenômeno El Niño no segundo semestre. O alerta foi dado porque os boletins meteorológicos evidenciam a necessidade de conclusão dos projetos do município para áreas de drenagem urbana e contenção de cheias. "Queríamos conversar com a cidade. Na verdade, não há no mundo nenhuma cidade 100% segura contra emergências climáticas", ponderou o secretário municipal de Defesa Civil, Milton Martins.

O encontro possibilitou uma maior compreensão sobre a formação do El Niño, por meio de uma apresentação do professor do Núcleo Integrado de Previsão da UFPel, Douglas Lindemann. Os pesquisadores Ricardo Gotuzzo e Júlio Marques, do Centro Institucional de Observação e Previsão de Eventos Climáticos (Ciex/ Furg) e do curso de Meteorologia da UFPel elucidaram a respeito dos efeitos do fenômeno no Estado. Segundo eles, a probabilidade da ocorrência é de 90%, entre os meses de agosto e outubro.

No entanto, não há garantia que os impactos do aumento da quantidade de chuvas sejam negativos, dependendo do modelo de distribuição das precipitações no Estado. As chuvas regulares, com intervalos entre os episódios de grande volume, ajudam a agricultura e não resultam em enchentes, como as ocorridas em maio de 2024. Segundo os especialistas, o monitoramento constante nos próximos meses possibilitará uma maior precisão na previsão da intensidade do fenômeno climático. Para o prefeito Fernando Marroni, é importante o planejamento do município ser amparado por dados técnicos e análise científicas.

"Estamos construindo uma cidade mais resiliente, de forma integrada, com o apoio das universidades. As ações projetadas são estratégicas e norteadas por evidências adaptadas à realidade da cidade", assinalou.

O secretário municipal de Urbanismo, Otávio Peres, realizou a apresentação do plano de proteção contra as cheias, denominado de Pelotas 4M. Ele apontou melhorias a serem executadas a médio prazo nos diques da Estrada do Engenho e do Laranjal. Peres também falou sobre a integração do trabalho entre as secretarias e os investimentos em drenagem e limpeza urbana, com mutirões nos bairros, considerados essenciais para melhorar a capacidade de resposta da cidade em eventos climáticos severos. Na reunião, houve a atualização dos investimentos em limpeza dos canais de macrodrenagem do município.

Segundo o presidente do Serviço Autônomo de Saneamento de Pelotas (Sanep), Ellemar Worjahn, no primeiro trimestre deste ano foram investidos cerca de R$ 500 mil na manutenção das estruturas. A projeção é que, até o final do ano, R$ 2 milhões sejam aplicados em limpeza e desobstrução do sistema pluvial. Ele explicou que o serviço é fundamental, pois amplia a capacidade de armazenamento e escoamento das chuvas. "Os canais conduzem água até as casas de bomba, de onde são retiradas da cidade por meio de bombeamento", salientou.

Serviço itinerante

Em 2026, foram contemplados os canais das avenidas Augusto Assumpção (em andamento), Bento Gonçalves, Cidade de Rio Grande, Duque de Caxias, Espírito Santo (em andamento), Leopoldo Brod, além do situado nas proximidades do residencial Adriano Gomes, e as estruturas da Cohab Guabiroba e das ruas Carlos Gotuzzo Giacoboni, Vinte e Sete (bairro Getúlio Vargas). Vinte e Nove (Laranjal) e General Osório (em andamento). A sequência do serviço itinerante ocorrerá nas avenidas Fernando Osório, Juscelino Kubitschek de Oliveira e São Francisco de Paula, além da rua Mário Meneghetti.

Para o reforço das casas de bombas, foram investidos R$ 1,26 milhão entre janeiro de 2025 e março de 2026. O valor contempla conjuntos de bombas para as estruturas Anglo, Doquinhas e Leste. Estão previstas para os próximos meses a instalação de novas comportas no dique localizado na Estrada do Engenho, estrutura que integra o sistema de drenagem em conjunto com a casa de bombas Leste, para aprimorar o controle hidráulico do sistema, e a qualificação da estrutura Anglo, com a confecção de uma plataforma flutuante, para tornar mais eficiente o processo de limpeza das grades em dias de chuva.

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