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Em cinco anos, o que mudou no Parque Harmonia após concessão

Parque ampliou estrutura e concessionária ainda revisa projetos modificados após enchentes

Parque recebeu melhorias, mas planejamento de novos investimentos foi modificado
Parque recebeu melhorias, mas planejamento de novos investimentos foi modificado Foto : Alina Souza

Cinco anos depois de assumir a concessão do Parque Harmonia, em Porto Alegre, a Gam3 Parks afirma ter concluído as obras estruturais previstas em contrato e ampliado o uso do espaço ao longo dos anos. A concessão foi assinada em março de 2021 e marcou uma mudança na forma de gestão do tradicional parque localizado às margens do Guaíba.

Segundo a diretora da concessionária, Carla Deboni, o parque foi encontrado com grande potencial, mas com limitações de infraestrutura e uso concentrado em poucos eventos do calendário gaúcho. “Pegamos um parque que sempre chamo de um diamante que precisava ser lapidado. Era uma área muito usada no período do acampamento farroupilha, mas não tinha essa dinâmica de espaço público aberto e frequentado ao longo do ano”, afirmou.

De acordo com a concessionária, cerca de R$ 47 milhões foram investidos nas obras obrigatórias de infraestrutura previstas no contrato. O principal foco foi a modernização das redes subterrâneas e da drenagem.

Entre as intervenções citadas pela empresa estão a implantação de fiação elétrica subterrânea, melhorias no sistema de drenagem e a criação de novas estruturas de apoio ao público. A concessionária também aponta investimentos operacionais adicionais ao longo da gestão, voltados à manutenção e ampliação das estruturas do parque.

A gestão privada buscou ampliar o uso do parque para além do período do acampamento farroupilha. Hoje, segundo Carla, o espaço recebe eventos esportivos, atividades culturais e encontros familiares ao longo de todo o ano.

Entre as estruturas implantadas estão churrasqueiras de uso público, pontos de água, sanitários e áreas de convivência. Um dos equipamentos mais frequentados é o Playground Sepé Tiaraju, que recebeu investimento de cerca de R$ 1 milhão. “Pensamos um espaço para a família. O parque hoje tem churrasqueiras, atividades esportivas, eventos culturais e áreas para as crianças. A ideia é que seja um lugar para passar o dia”, disse a diretora.

Durante as obras iniciais de infraestrutura, 103 árvores foram removidas, o que chegou a resultar na paralisação dos trabalhos durante alguns dias em 2023. Segundo a concessionária, desde a retomada e conclusão, a compensação ambiental já ultrapassou o previsto inicialmente.

A empresa informa que o plano original previa o plantio de mais de 500 mudas, mas o número já se aproxima de 800 unidades, considerando reposições realizadas após temporais e quedas naturais de árvores antigas.

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Impacto da enchente

A enchente de 2024 também afetou o cronograma de obras e projetos no parque e na orla. De acordo com a diretora, parte dos prejuízos foi coberta por seguro, mas houve necessidade de reinvestimentos. Mesmo assim, o parque foi preparado para receber o Acampamento Farroupilha poucos meses após o recuo das águas.

Além disso, uma série de intervenções e instalações que estavam previstas também precisaram ser reconsideradas. Entre os projetos estava a instalação de uma roda-gigante no parque. A proposta acabou sendo descartada após análises técnicas e financeiras, além das preocupações relacionadas ao risco de enchentes.

A justificativa é de que não existe a segurança de que nunca mais volte a ocorrer uma nova enchente e, assim, não há segurança a empresas dispostas a aportar até R$ 70 milhões na construção. Além disso, a dificuldade de recuperação do alto valor investido também foi citada.

Segundo a direção da concessionária, novos equipamentos e atrações estão em estudo, mas ainda sem definição. “A roda naquele modelo foi descartada. Agora estamos avaliando outras operações que façam sentido para o parque e que sejam sustentáveis economicamente”, afirmou Carla.

Apesar do aumento de público nos fins de semana e eventos, a concessionária avalia que ainda existe um grande potencial de uso do parque pela população. “Quem vem, volta. Mas ainda tem muita gente de Porto Alegre que não conhece o parque ou nunca veio caminhar aqui. Estas pessoas estão convidadas a conhecer”, completou a diretora.