Na tarde de terça-feira, a Defesa Civil do Rio Grande do Sul emitiu um alerta vermelho por meio da ferramenta Cell Broadcast, indicando risco muito alto de tempestades com granizo e vendaval. O aviso foi enviado por volta das 14h40min, disparado diante da condição de alerta severo. A chuva até chegou, no entanto, provocou apenas transtornos pontuais, sem registros de ocorrências graves até o fim do período de instabilidade.
O órgão também já havia emitido um aviso classificado como laranja, com vigência até o final da tarde, indicando instabilidade com chuva, vento e chance de granizo em áreas mais amplas do Estado, incluindo a Região Metropolitana. Na região do Vale dos Sinos, que recebeu alerta laranja, o transtorno foi maior. Em 45 minutos, ruas e avenidas foram alagadas em São Leopoldo, com volume acumulado que chegou a 39,40 e sobrecarregou rapidamente a rede de drenagem urbana. A força dos ventos também provocou a queda de árvores, postes de energia elétrica e deixou parte da cidade sem luz.
Como explica o meteorologista Bruno Zanetti, do Centro de Monitoramento da Defesa Civil estadual (CMDEC), o alerta de terça-feira foi emitido por conta de uma tempestade que estava avançando nas proximidades dos municípios de Guaíba e Barra do Ribeiro em direção à região metropolitana de Porto Alegre. Pelo radar meteorológico, a tempestade indicava que seria intensa, com risco de granizo e ventos que poderiam superar os 90 quilômetros por hora. Segundo Zanetti, os dados indicavam a presença de rotação, característica de algumas tempestades chamadas de supercélulas, que são organizadas e apresentam potencial de produzir rajadas de vento e granizo muito intensos.
O alerta foi apenas para Porto Alegre, e nem para todo o município. O foco foi para algumas áreas consideradas de maior risco naquele momento. “Esses limiares que a gente usa são de um alerta vermelho. Então, quando a gente nota uma condição para que aconteça esse granizo grande ou rajada de vento acima de 90 e 100 km/h na região metropolitana de Porto Alegre, a gente emite esse alerta”, complementa.
Ele explica que o alerta foi emitido porque havia uma condição de risco para a região. A tempestade acabou avançando em direção a Porto Alegre, atravessando o Guaíba e adentrando a zona Sul da Capital, e chegou a provocar um pouco de granizo por lá. Porém, acabou perdendo força ao se deslocar em direção ao Centro.
“Essa tempestade provavelmente produziu granizo de um tamanho considerável na região do interior de Barra do Ribeiro e Guaíba antes de avançar em direção à região metropolitana de Porto Alegre. Então, quando ela estava ainda no lado de lá do Guaíba, tomamos a decisão de emitir esse alerta, porque é uma região bastante vulnerável”, detalha o meteorologista.
“Não foi exatamente o [alerta] que a gente esperava. Quando a gente emite um alerta vermelho, a gente espera que tenha alguns danos associados, até porque esse alerta tem uma condição de risco para que ocorra esses danos. Mas em algumas situações, infelizmente, a gente não tem como prever exatamente o que vai acontecer”, afirma.
Ele lembra que, ao ser emitido um alerta, existe o risco de que não seja verificado. “A gente nunca tem 100% de certeza quando faz a emissão desse tipo de alerta, mas o importante é que havia um risco; o risco existia, era bem evidente para a população, e por isso que foi emitido esse alerta”.
Para o município de São Leopoldo, incluído nas áreas da região Metropolitana, foi emitido um alerta laranja, que também alerta para condições de severidade para chuva intensa, granizo e vento, mas com nível mais baixo do alerta vermelho. No entanto, esses alertas não são emitidos pela ferramenta Cell Broadcast, apenas por SMS (que é necessário cadastro por meio do 40199) ou pelo site e redes sociais.
“É algo que a gente não tem muito controle, acaba acontecendo em algumas situações. A gente não consegue saber exatamente como os sistemas meteorológicos vão se comportar, principalmente tempestades que acabam se intensificando e perdendo força muito rápido. Então, sempre que se envia um alerta, tem um risco de que não vai acontecer algo tão grave. O importante é que, como havia um risco, foi enviado o alerta e a população estava avisada caso aquele risco se materializasse”, diz.
Como funciona a elaboração do alerta
O alerta de terça-feira foi emitido por meio de informações do radar meteorológico em Porto Alegre, instalado por meio de contrato com a Defesa Civil. “Esse radar consegue dar uma precisão bastante grande sobre as tempestades. A gente consegue ver elas com uma frequência bastante alta, detalhamento, principalmente quando elas estão próximas da região metropolitana de Porto Alegre”, explica o meteorologista. Outras instituições nacionais, como o Cemaden e o Inmet, trabalham com avisos de escala maior, compreendendo outras regiões, e o nível de detalhamento não é tão alto quanto os alertas do radar.
O radar meteorológico de Porto Alegre também consegue prover um monitoramento para as proximidades da região Metropolitana com mais detalhes do que em outras áreas do Estado, como na Fronteira Oeste e Sul. Os alertas da ferramenta Cell BroadCast são enviados com base na cobertura da área. Ou seja, todos os celulares que estão dentro do polígono do alerta vão recebê-lo, sem necessidade de cadastro prévio.
Os alertas enviados também por SMS e publicados nas redes sociais e no site da Defesa Civil são divididos em cores – amarelo, laranja, vermelho e roxo – e feitos por meio de algumas ferramentas. Quando não há disponível na região os radares para emissão dos alertas, a Defesa Civil utiliza dados de radares da aeronáutica, satélites meteorológicos, estações meteorológicas e de raios. “A gente utiliza o máximo de ferramentas possível, mas a melhor ferramenta para fazer isso é o radar meteorológico”, pontua.
- Alerta vermelho pela chuva mobiliza Defesa Civil, mas chuva causa poucos transtornos em Porto Alegre
- Defesa Civil emite alerta severo para Porto Alegre; confira as regiões afetadas
- São Leopoldo registra transtornos e pontos de alagamentos em decorrência da forte chuva
- Cidades de Esteio e Sapucaia do Sul registram problemas em decorrência da chuva forte e ventania
- Temporal causa alagamentos na cidade de Eldorado do Sul e ao menos 10 famílias são afetadas
- Depois da chuva, foliões lotam a Orla do Guaíba no encerramento do carnaval de rua de Porto Alegre
Veja o que significa cada alerta
Alerta amarelo: condição de atenção e risco moderado. As pessoas não precisam parar suas atividades, apenas ficam em estado de atenção para caso aconteça alguma tempestade na região, possam tomar as devidas precauções.
Alerta laranja: risco mais alto para tempestades e chuvas intensas que podem causar transtornos. É necessário manter-se abrigado durante os temporais, abrigar e/ou soltar guias e correntes de animais domésticos antes de sair de casa, avaliar o local onde estacionar o veículo, manter-se longe de árvores, placas e postes, e manter um kit para sair imediatamente se for o caso.
Alerta vermelho: nível muito alto para granizo, rajada de ventos e chuva intensa. Em Porto Alegre e na região metropolitana, é enviado pelo Cell Broadcast. Para esse alerta, é necessário buscar abrigo ou permanecer em locais de segurança até cessarem as fontes de risco, manter-se informado sobre a evolução do evento, não retornar para áreas evacuadas e garantir a segurança de animais domésticos
Alerta roxo: risco muito extremo, utilizado principalmente em condições de inundação, subida rápida de rios e quando as pessoas precisam evacuar uma área imediatamente, buscando abrigo. Ele ainda não foi utilizado pela Defesa Civil estadual.