A exposição itinerante "Arrancadas de Nós: Histórias que Precisam Ser Contadas", criada pela Frente Gaúcha de Combate ao Feminicídio da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, chegou a Gravataí, reunindo histórias de 30 mulheres vítimas de feminicídio, apresentadas por meio de fotografias e textos. O memorial fotográfico resgata o perfil das vítimas a partir da visão de seus familiares, além de contar a forma como suas vidas foram brutalmente interrompidas. Os painéis, que percorrerão as cidades gaúchas, permanecem no saguão da Câmara de Vereadores da cidade, disponíveis à visitação até a próxima sexta-feira.
Nesta edição em Gravataí, foi também acrescida à exposição a história da jovem Maria Eduarda Duarte Costa, vítima de feminicídio em maio de 2025, no município. Mais do que uma homenagem, a mostra cumpre um papel político e social indispensável de romper o silêncio, preservar a memória das vítimas e denunciar a violência de gênero.
"Estamos diante da face mais cruel de uma sociedade que ainda falha em proteger, em prevenir e responder com a firmeza que deveria. Feminicídio não é fatalidade. Não é acaso. Não é estatística vazia. É crime e destruição. É a prova brutal de que muitas mulheres seguem pagando com a própria vida o preço da violência", disse Elenara Duarte, tia de Maria Eduarda, que compõe as estatísticas do ano passado.
A vereadora Vitalina Gonçalves, uma das três mulheres entre os 21 parlamentares da Casa Legislativa, aponta que a exposição busca conscientizar, sensibilizar e fortalecer a mobilização coletiva para enfrentar o feminicídio e impedir que este tipo de crime seja naturalizado. "É um instrumento de memória, denúncia e transformação social. Não podemos deixar nenhuma vítima cair no esquecimento. É preciso expor essa realidade para conscientizar, sensibilizar e fortalecer a luta para que mais nenhuma de nós seja morta."
De acordo com a vereadora o memorial também se mostra importante porque, para além da luta contra os feminicídios, que é uma culminância de um processo de violência, Gravataí é considerada uma cidade com alto índice de violência sexual. "Nós precisamos quebrar o ciclo de violência, desde a violência doméstica, a violência sexual, que vai culminar nos feminicídios."
Vitalina, que tem seu mandato pautado na construção coletiva e acolhimento, também destaca a aprovação da implantação do Banco Vermelho, uma campanha de conscientização que visa prevenir e combater a violência de toda a natureza contra as mulheres. "Ele é vermelho porque representa o sangue das mulheres mortas e através do impacto que isso causa temos tido adesão de várias entidades, movimentos sociais, organizações privadas e setores do poder público junto à campanha."
EMENDAS DE R$ 750 MIL PARA AUXILIAR NO ENFRENTAMENTO
Para a parlamentar, a violência contra a mulher, mais do que estar em um projeto, numa lei, ela precisa ser viabilizada na prática, em ações. "Eu quero destacar duas emendas parlamentares que eu consegui trazer para Gravataí, do deputado federal Paulo Pimenta. Uma delas, de R$ 250 mil, que vai permitir a Guarda Municipal ter um veículo semelhante à Patrulha Maria da Penha. E a outra, de R$ 500 mil, que será destinada à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher para a compra de uma viatura, assegurando que a Polícia Civil possa cumprir o seu papel."
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