O Fórum Ulbra 497 – Resiliência com Experiência, iniciativa que reuniu gestores públicos, especialistas, equipes técnicas e autoridades para discutir, compartilhar ideias e buscar soluções conjuntas ligadas a situações de emergência e reconstrução frente aos eventos climáticos extremos, aconteceu na tarde de segunda-feira no campus da Universidade Luterana do Brasil, em Canoas. A programação trouxe para a Região Metropolitana as experiências vividas nas cidades de Blumenau (SC), Petrópolis (RJ), Recife (PE), Mariana (MG) e Brumadinho (MG), através de profissionais que puderam contar suas histórias e contribuir para o planejamento de ações e medidas que deverão assegurar cidades mais preparadas e resilientes.
O superintendente de Relações Governamentais e Cidades da universidade, Jairo Jorge, destaca que as cinco cidades carregam experiências distintas, mas trazem uma mesma lição. "Depois de uma tragédia, reconstruir não significa simplesmente voltar ao que existia antes. E sim, repensar a cidade como um todo, os sistemas de proteção, a ocupação do território e a própria forma de cuidar das pessoas", disse ele, explicando que os painéis explanaram pontualmente o desafio da resiliência e a experiência de reconstrução.
Para o presidente da Ulbra, Carlos Augusto Melke Filho, a iniciativa reforça a aproximação da universidade com as demandas da sociedade e dos municípios. "É o resgate do protagonismo da instituição e de sua vocação no acolhimento e no ensino voltado à comunidade. É fundamental que se abra essa discussão para que possamos implementar melhores práticas. Mais do que mostrar a importância desse debate, precisamos garantir a continuidade e a efetividade desse movimento", afirmou Melke.
Antes de dar início à mesa de discussões, foi assinado um termo de cooperação entre a Ulbra e o ICLEI, que prevê o desenvolvimento conjunto de iniciativas, programas, projetos e outras ações de interesse comum nas áreas de resiliência climática e desenvolvimento sustentável dos municípios e territórios.
O secretário-executivo do ICLEI América do Sul, Rodrigo Perpétuo enfatizou a necessidade de incorporar a prevenção e a resiliência ao planejamento urbano, evitando que a atuação dos municípios se concentre apenas na resposta aos desastres. "Infelizmente, a cultura que ainda prevalece é a da resposta. E ela é fundamental, precisa acontecer no melhor nível e da maneira mais ágil possível. A questão climática começa nas suas interseções com outras políticas públicas, como o desenvolvimento urbano e a regulação do uso do solo. Se não pensarmos a resiliência a partir dos processos de desenvolvimento das cidades, não conseguiremos evitar os impactos", afirmou.
Especialistas discutem prevenção, riscos e reconstrução
A programação do Fórum Ulbra 497 foi organizada em duas mesas de debate que abordaram os desafios da resiliência climática e compartilharam experiências relacionadas à prevenção, preparação, gestão de riscos e reconstrução diante de desastres. A primeira "O Desafio da Resiliência", reuniu Osvaldo Luiz Leal de Moraes, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI); Rodrigo Perpétuo, do ICLEI América do Sul; um meteorologista Estael Sias, da MetSul Meteorologia; e o coronel PM Luciano Chaves Boeira, chefe da Casa Militar e coordenador estadual de Proteção e Defesa Civil do Rio Grande do Sul. A mediação foi conduzida por Jairo Jorge.
A segunda mesa "Experiências de Reconstrução", trouxe relatos de representantes de cinco cidades brasileiras que enfrentaram grandes desastres: Carlos Olímpio Menestrina, secretário de Defesa Civil de Blumenau; Guilherme Moraes, secretário de Defesa Civil de Petrópolis; Rachel Morais de Oliveira, coordenadora-geral do ProMorar Recife; Carla Fernanda de Araújo, secretária de Meio Ambiente de Mariana; e Alexandra Andrade Gonçalves Costa, coordenadora do Departamento Administrativo da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Brumadinho. A mediação foi de Ruy Irigaray, superintendente de Relações Institucionais e Comunicação da Ulbra.
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