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Galhos e dragagem lenta prejudicam navegação no Guaíba, diz setor empresarial gaúcho

Professor do IPH da Ufrgs diz que acúmulo de sedimentos não aumenta inundações e pode ser um problema apenas para pequenas embarcações

Condições para navegabilidade no Guaíba ainda são criticadas pelo setor empresarial
Condições para navegabilidade no Guaíba ainda são criticadas pelo setor empresarial Foto : Alina Souza

O Guaíba tem se mantido com o nível estável por dias seguidos, afastando a preocupação sobre elevações nas réguas de monitoramento e eventuais alagamentos em áreas ribeirinhas de Porto Alegre e região Metropolitana. Apesar de vários dias de sol, o curso d’água somente saiu da cota de atenção na noite de 19 de outubro.

Outra grande preocupação de semanas atrás, relacionadq à descida de toneladas de galhos e troncos de madeira de regiões, navegando pelos cursos d’água de Porto Alegre e entorno, também anda ausente. Há custos envolvidos para a remoção, quando os mesmos invadem a orla de municípios, como foi o caso do município de Guaíba.

Troncos na orla da região central do município de Guaíba. | Foto: Alina Souza/ CP Memória

No final de setembro, após um longo episódio de chuvas, a prefeitura informou ter removido aproximadamente 560 cargas de resíduos, totalizando 6.720 metros cúbicos de materiais. Foram utilizados, segundo a administração, 450 horas de caminhão caçamba; 210 horas de escavadeira hidráulica; 150 horas de escavadeira hidráulica de longo alcance; e 210 horas de trator de esteira.

Esta presença de materiais orgânicos tornou-se um problema para navegantes, dizem entidades empresariais, interrompendo, por exemplo, a circulação do catamarã entre Porto Alegre e Guaíba. Mas engana-se quem acredita que a preocupação dos empresários que fazem uso da principal hidrovia do Rio Grande do Sul se encerra quando os galhos vão embora.

Para o presidente da Hidrovias RS, Wilen Manteli, apesar da dragagem em andamento no Guaíba com R$ 731 milhões em recursos do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs), fazendo com que navios maiores consigam trafegar pelo curso d’água quando não há outros impeditivos na superfície, ela tem ocorrido a passos lentos e ainda não contempla os anseios das indústrias de maneira geral.

“Temos esta beleza, esta riqueza natural ali, e não sabemos utilizá-la. É preciso haver um rigor maior na aplicação destas verbas. Ao não priorizar estas indústrias que geram riqueza e movimentam a economia, há uma falta de entendimento da nossa realidade econômica”, disse ele.

Procurada para comentar sobre o andamento das dragagens nos canais do Guaíba, a Portos RS não se manifestou. O professor Fernando Dornelles, do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), afirma não existir um levantamento exato sobre a quantidade de areia e entulho levados para o Guaíba durante as chuvas intensas. De qualquer maneira, para ele, o acúmulo de sedimentos não tem grande efeito no agravamento de inundações.

“Assim como a água trouxe, leva também embora, por isso grandes embarcações não devem enfrentar problemas relevantes com esse material. A navegação de pequenas embarcações fica mais perigosa com troncos à deriva. Em termos de efeito na inundação, sabemos de antemão que isto não é significativo. Qualquer informação de acumulo ou erosão em um ponto apenas não é representativo”, salientou Dornelles.

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