Cidades

IBGE apresenta pesquisa sobre as enchentes de 2024 e recebe homenagem aos 90 anos na ALRS

Estudo anunciado nesta semana revela efeitos do desastre climático na população gaúcha

Cerimônia ocorreu no Salão Júlio de Castilhos
Cerimônia ocorreu no Salão Júlio de Castilhos Foto : Camila Cunha

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apresentou, nesta sexta-feira, na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul (ALRS), os resultados obtidos na Pesquisa Especial sobre as Enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul (PEERS). A divulgação em âmbito nacional da pesquisa, que apresenta dados que revelam quais foram os efeitos do desastre climático na população gaúcha, ocorreu nesta quarta-feira. No Salão Júlio de Castilhos, o instituto também recebeu, em homenagem aos 90 anos, a Medalha do Mérito Farroupilha, honraria concedida a personalidades e instituições que contribuíram de forma relevante para o desenvolvimento econômico, social e cultural do Estado. A homenagem foi proposta pelo deputado Matheus Gomes (PSOL).

Pesquisa destaca efeitos das enchentes

A pesquisa inédita coletou informações diretamente nos domicílios sobre os impactos do evento climático extremo nas regiões afetadas. O levantamento contempla características dos moradores e os efeitos das enchentes sobre suas condições de vida, além das medidas de prevenção e recuperação adotadas.

"Além de registrar essas informações referentes à situação da população, esses dados são fundamentais tanto para a construção de políticas públicas no âmbito federal, estadual e municipal, como também aos parlamentares, que também respondem pela construção de leis e regulamentações em relação à questão da habitação, da moradia e do planejamento urbano", disse o presidente do IBGE, Márcio Pochmann.

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Entre os principais dados, o estudo apontou que 6,3 milhões de gaúchos foram afetados pelas enchentes, e que 53,2% registraram algum tipo de dano em sua estrutura por conta das cheias. Os impactos também foram refletidos na saúde mental, pois 67,5% dos entrevistados informaram que tiveram a saúde mental abalada após a cheia.

A pesquisa também revelou que três a cada quatro resgates nas enchentes de 2024 foram feitos por voluntários, e que em mais de 725 mil domicílios, um ou mais moradores precisaram passar ao menos uma noite fora de casa em função das cheias. A coleta dos dados foi realizada entre 15 de setembro de 2025 e 27 de fevereiro de 2026, contando com mais de 6 mil entrevistas, realizadas a partir de dados telefônicos informados no Censo Demográfico de 2022.

"O interessante da pesquisa é que a gente perguntava: ‘você foi impactado pela enchente?’, e a pessoa falava: ‘Não fui’. Mas quando a pessoa vai vendo os impactos, não só no domicílio dela, mas ao redor e na vida, ela viu que foi afetada pelas enchentes", disse a coordenadora da PEERS, Juliana Paiva. A pesquisa oferece subsídios para a formulação de políticas públicas estruturais voltadas ao enfrentamento das mudanças climáticas, contribuindo para ações mais eficazes de mitigação e resposta a desastres dessa natureza.