Pela segunda vez em pouco menos de um mês, o sistema de içamento da Ponte do Guaíba foi interrompido temporariamente. Em julho, a chamada Ponte Vargas registrou problemas no sistema, com a saída de um navio atracado no Porto da Capital. Desde o dia 3 até o dia 12 deste mês, a operação no sistema da ponte também ficará paralisada. A situação gera transtornos no tráfego fluvial, impactando no transporte de cargas de um dos principais corredores logísticos do Rio Grande do Sul.
O diretor-presidente da Hidrovias RS, Wilen Manteli, afirma que o problema é antigo e a interrupção recorrente dos içamentos tem aumentado, trazendo insegurança às empresas que dependem da travessia para o transporte de cargas. Além dos atrasos, as interrupções elevam custos operacionais, dificultam o planejamento logístico e afetam a competitividade da indústria e do comércio gaúchos. Manteli enviou uma carta à concessionária sobre o ocorrido em julho, relatando que o problema está relacionado às falhas mecânicas no sistema.
A entidade informou que os usuários receberam da ViaSul, concessionária responsável pela administração da ponte, o comunicado sobre a manutenção preventiva do vão móvel sem a antecedência necessária para alteração de rotas. Também demonstra preocupação que, além dos atrasos, as interrupções colaboram para elevar custos operacionais, dificultam o planejamento logístico e afetam a competitividade da indústria e do comércio gaúchos.
Em 2011, quando houve uma paralisação no serviço, Manteli também acionou o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), a Secretaria Estadual de Transportes e outras entidades estaduais para tomar providências. “Depois de ouvirem os problemas, corrigiram a ponte e parou por um certo tempo. Nos últimos tempos, tem ocorrido de novo”.
Manteli lembra que a rota é estratégica para transportar importantes matérias-primas. Entre os principais prejuízos, estão os custos da paralisação das navegações, que chegam entre 20 e 30 mil dólares conforme o navio. “Outro prejuízo, ainda mais relevante, é o polo ficar sem o abastecimento de suas matérias-primas. E as embarcações menores, que também não podem passar pela ponte, têm que contornar ao lado. Isso faz perderem, no mínimo, quatro horas. Para a logística, tu tens que ter que ter velocidade para entregar o produto e para levar os insumos”.
“Os armadores e as empresas que precisam de receber insumos ou expedir seus produtos ficam com coração na mão: ‘será que vai funcionar? Será que não vai funcionar?’ Mas quando não funciona, elas acabam absorvendo (o problema)”, comentou Manteli.
Em relação à recorrência da interrupção do sistema, a ViaSul informou que o Vão Móvel está passando por uma intervenção de manutenção programada em componentes essenciais ao seu funcionamento, e que os serviços têm caráter preventivo e complementam as manutenções rotineiras realizadas regularmente no equipamento.
A concessionária também informou, em nota, que a intervenção “contempla atividades de maior complexidade, identificadas a partir do monitoramento permanente e das inspeções técnicas realizadas pela concessionária”, e tem como objetivo “assegurar a confiabilidade e a segurança da operação do Vão Móvel”. Ainda, que atua para executar os serviços “com a maior agilidade possível, sempre observando os critérios técnicos e de segurança” (veja a nota completa abaixo).
Na visão de Manteli, é necessário haver mais comprometimento da empresa responsável com a manutenção da estrutura, mas também com as instituições e órgãos estaduais que respondem pela manutenção das hidrovias. “Para a ponte, fazem um concerto ali, fica funcionando por um certo período. Mas a ameaça persiste”.
Ele também reforça a importância de investir em proteções para as pontes, lembrando que embarcações até mesmo menores, se chocarem na ponte, podem prejudicar o pilar e danificar a embarcação, causando. “Aparece um problema e não há uma ação das autoridades, como esses esses dois casos, a elevação, né, da ponte e a falta de proteção das embarcações. Esquecem que uma rodovia tem que ter um cuidado igual ou melhor do que uma rodovia. O que falta é ação”.
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Veja a nota completa enviada pela ViaSul:
A ViaSul informa que o Vão Móvel do Guaíba está passando por uma intervenção de manutenção programada em componentes essenciais ao seu funcionamento. Iniciados na última segunda-feira (3), os serviços têm caráter preventivo e complementam as manutenções rotineiras realizadas regularmente no equipamento, com o objetivo de preservar os padrões de segurança da navegação e da infraestrutura.
Durante o período de manutenção, a operação do equipamento estará indisponível para içamentos. O tráfego de veículos sobre a ponte segue normalmente, sem alterações.
A intervenção contempla atividades de maior complexidade, identificadas a partir do monitoramento permanente e das inspeções técnicas realizadas pela concessionária, e tem como objetivo assegurar a confiabilidade e a segurança da operação do Vão Móvel.
A Concessionária atua para executar os serviços com a maior agilidade possível, sempre observando os critérios técnicos e de segurança. A previsão é de que os trabalhos sejam concluídos até o dia 12 de agosto, quando a operação do Vão Móvel deverá ser restabelecida.