Cidades

Mãe e padrasto são condenados por morte de menina de 2 anos e por tortura de irmã em Santa Vitória do Palmar

A mulher deverá cumprir 35 anos, cinco meses e 28 dias e o homem 34 anos, 11 meses e cinco dias de prisão

O Tribunal do Júri de Santa Vitória do Palmar, no Sul do Estado, condenou mãe e padrasto pela morte da filha dela, de 2 anos, e pela tortura da criança e de sua irmã, então com 3 anos de idade. A mulher foi condenada a 35 anos, 5 meses e 28 dias de reclusão, e o homem a 34 anos, 11 meses e 5 dias de prisão, ambos em regime inicial fechado. O júri durou dois dias.

Conforme a denúncia do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), os crimes ocorreram entre julho e novembro de 2022, em Santa Vitória do Palmar. Durante esse período, as duas crianças foram submetidas a sucessivas agressões físicas e castigos praticados pela mãe e pelo padrasto. Entre as violências apuradas durante a investigação estão espancamentos com cintos e cordas, queimaduras e outras práticas que causaram intenso sofrimento físico e mental às vítimas.

A menina mais nova morreu no dia 6 de novembro de 2022. De acordo com a acusação, ela foi vítima de espancamento que provocou hemorragia decorrente de traumatismo craniano. O Conselho de Sentença reconheceu as qualificadoras de motivo torpe, meio cruel e crime cometido contra menor de 14 anos, além da causa de aumento de pena pelo fato de o homicídio ter sido praticado pela própria mãe e pelo padrasto da criança. Também foi reconhecida a prática dos crimes de tortura contra as duas meninas, caracterizada pelas agressões reiteradas e pelos castigos impostos ao longo de meses.

Para o promotor Leonardo Giardin, o resultado do julgamento representa uma resposta da sociedade à gravidade dos fatos. "O veredicto é um ato de humanidade e justiça que busca, na medida do possível, reparar um dos capítulos mais trágicos, cruéis e dolorosos com que tive contato em 22 anos de carreira. É uma resposta civilizada a uma série de condutas que horrorizaram e revoltaram toda a comunidade. O júri reconheceu que os réus, que tinham o dever não apenas legal, mas moral, de proteger e amar duas meninas de tenra idade, indefesas e completamente dependentes de seus cuidados, as submeteram a uma perversa rotina de suplícios que resultou nessa grande tragédia", afirmou.

Já o promotor Dax Bogo ressaltou que estes crimes chocaram a sociedade vitoriense e todos que atuaram no atendimento às vítimas, desde vizinhos, até profissionais de saúde, do conselho tutelar e da segurança pública. "A condenação, da qual recorreremos para majorar as penas, busca trazer algum alívio e sensação de justiça aos familiares das vítimas e demais impactados", concluiu.

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