Cidades

Moradores reivindicam obras para contenção de cheias no Sarandi

Encontro reuniu representantes do poder público e da comunidade debater melhorias na região

Com cartazes, moradores pedem ampliação dos serviços prestados
Com cartazes, moradores pedem ampliação dos serviços prestados Foto : Fabiano do Amaral

Em uma reunião extraordinária, realizada pela Comissão de Urbanismo, Transporte e Habitação da Câmara Municipal de Porto Alegre (CUTHAB), moradores do bairro Sarandi, na Zona Norte de Porto Alegre, e arredores reivindicaram obras e serviços para a região. A reunião aconteceu na noite desta terça-feira na Associação de Moradores da Vila Elizabeth e Parque e contou com a presença de representantes do poder público e líderes comunitários.

Entre as principais reivindicações estão intervenções para a contenção de cheias, já que a região foi uma das mais castigadas pelas enchentes que assolaram o estado em maio de 2024. De acordo com Margareth Teixeira Coelho, representante comunitária, o projeto para uma bacia de contenção no Arroio Passo das Pedras já foi criado “o engenheiro Carlos Bernd fez uma sugestão em que o Dmae quase não teria gasto para executar e, em contrapartida, beneficiaria os moradores da Vila Leão, onde alaga com qualquer chuva”, denuncia a moradora que criticou a demora para a execução do projeto.

Cármen Makiejczuk é moradora do bairro há 21 anos e conta que toda vez que chove ela fica ilhada na própria casa. No ano passado, ela chegou a mudar de endereço provisoriamente para conseguir sair de casa e chegar ao seu trabalho todos os dias, independentemente de chuva. Ela retornou a sua casa na última terça-feira, mas na sexta-feira voltou a presenciar o alagamento após a chuva.

A moradora reclama que as intervenções feitas no bairro só pioraram a condição dos alagamentos “Em dias de chuva a rua ficava com água, mas era drenada devido aos paralelepípedos. Após a enchente colocaram asfalto e agora água nem tem para onde escoar e o meio da rua está mais alto que a calçada, portanto a água vem para a calçada”, relata a atendente de consultório médico. Apesar da indignação, Cármen tinha conhecimento da reunião, mas abordou a reportagem do Correio do Povo enquanto passeava pelo bairro.

A reunião foi mediada pelo presidente da CUTHAB, vereador Pedro Ruas (PSOL), que acolheu as reivindicações e deverá encaminhá-las à comissão e cobrar que os serviços sejam executados pelos órgãos responsáveis por cada uma das demandas junto a Prefeitura. “Os moradores têm muito medo que a enchente se repita e têm razão, porque de lá pra cá, praticamente nada foi feito. Estava prometido terminar a construção do dique em 2025. Nós estamos em 2026 e nada progrediu desde o ano passado”, afirma o vereador, embora a conclusão das obras esbarre em impasses que envolvem, inclusive, a desocupação de residências no entorno.

Com cartazes, os moradores presentes no encontro também cobraram segurança, saneamento, mais qualidade na prestação de serviço de saúde e o retorno de uma linha de ônibus que atendia a região mas foi desativada. Na unidade de saúde que atende o bairro, há filas e demora no atendimento, além de não ser cercada, o que deixa o espaço suscetível a furtos e avarias.

Os moradores também denunciam calçadas com desníveis e obras realizadas após a enchente com concreto quebrado ou deixadas sem acabamento, o que dificulta, entre outras coisas a acessibilidade na região e compromete o sistema de esgoto. A previsão altos volumes de chuvas para este ano intensifica urgência dos moradores para o atendimento das reivindicações.

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