O Ministério Público Federal (MPF), aliado ao Instituto Preservar, moveu uma ação de mais de 541 milhões de reais contra a subsidiária brasileira da petroleira Shell, após as enchentes letais que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024.
Segundo o MPF, a responsabilidade da Shell Brasil é proporcional à contribuição de sua empresa-mãe para o aquecimento global, ou seja, 2% das emissões históricas globais de gases de efeito estufa.
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Enchetes de 2024
As enchentes de abril e maio de 2024 afetaram cerca de 6,3 milhões de pessoas no Rio Grande do Sul, segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A Pesquisa Especial sobre as Enchentes de 2024 aponta que 55,5% dos moradores das áreas atingidas relataram danos na estrutura das residências. Ao todo, 81,2 mil domicílios foram considerados destruídos e outros 190,2 mil, muito danificados. O desastre deixou 185 mortos e 23 pessoas seguem desaparecidas, conforme a Defesa Civil estadual.
O levantamento também identificou impactos que permaneceram na vida da população após a tragédia. Em 67,5% dos domicílios pesquisados, ao menos um morador relatou abalos na saúde mental, índice que chegou a 73,3% na Região Intermediária de Porto Alegre. Além disso, 58,4% dos domicílios registraram interrupções na convivência social e 57,3% relataram dificuldades de deslocamento para o trabalho, a escola ou a creche. A pesquisa ouviu moradores de 133 municípios entre setembro de 2025 e fevereiro de 2026.