Cidades

Narcóticos Anônimos de Porto Alegre oferece grupos reservados para mulheres e população LGBTQIA+

Segundo uma frequentadora, os grupos especializados são importantes para criar identificação entre os usuários e protegê-los de possíveis preconceitos

Os encontros são realizados tanto em “salas abertas” ou “salas fechadas”, a depender do desejo de preservação dos participantes.
Os encontros são realizados tanto em “salas abertas” ou “salas fechadas”, a depender do desejo de preservação dos participantes. Foto : Mauro Schaefer / CP Memória

O NA ou Narcóticos Anônimos se autodefine como uma irmandade ou sociedade sem fins lucrativos, formada por homens e mulheres, voltada “a todos para quem as drogas se tornaram um problema”.

“Somos adictos em recuperação, que nos reunimos regularmente para nos ajudarmos uns aos outros a nos mantermos limpos. Há somente um requisito para ser membro, o desejo de parar de usar”, afirma o panfleto de divulgação do grupo.

A organização surgiu a partir do Programa Alcoólicos Anônimos, no fim dos anos 1940, com as primeiras reuniões emergindo na área de Los Angeles na Califórnia, EUA, no inícios dos anos 1950.

Hoje presente em 144 países ao redor do mundo, especialmente em capitais metropolitanas, a organização também está ativa em Porto Alegre, onde atua com diversos grupos espalhados pela cidade. Os encontros são realizados tanto em “salas abertas” ou “salas fechadas”, a depender do desejo de preservação dos participantes.

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O grupo sobrevive a partir de doações em dinheiro dos próprios membros, utilizadas para pagar o aluguel de salas, lanches e materiais para as reuniões, bem como impressão de materiais gráficos de divulgação.

Em recente palestra realizada na Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho (SIPAT), um homem frequentador anônimo do NA e ex-usuário de drogas explicou que a ideia do grupo é promover o acolhimento mútuo entre pessoas que já passaram pelas mesmas experiências.

Segundo ele, por mais que o atendimento especializado seja necessário, nenhum profissional da saúde poderia fornecer o mesmo acolhimento encontrado pelos dependentes químicos em um grupo NA.

“Só quem já acabou passando a noite fora de casa, caiu na sarjeta, chegou em casa incomodando a família, o pai, os filhos por causa das drogas vai entender o meu sofrimento”, explica o homem, que está sóbrio há 13 anos.

Qualquer pessoa pode participar de uma reunião NA

Para participar de uma reunião NA, os interessados podem entrar em contato pelos números abaixo. O grupo também disponibiliza a chamada Linha de Ajuda 132.

51 99633 3550

51 3333 3550

54 991220060

Grupos de Mulheres e População LGBTQIA+

Para ampliar a rede de acolhimento, o NA Porto Alegre criou grupos especializados para o público feminino, que já existem há seis anos na Capital, e também grupos exclusivos para pessoas LGBTQIA+, que existem há cerca de três anos no município.

Uma das mulheres frequentadores do grupo feminino ressaltou a importância da identificação entre as participantes.

“A gente conseguiu criar essas salas para que essas pessoas entrassem e tivessem identificação, porque o programa funciona por meio dessa identificação. Era muito comum uma mulher entrar numa sala e só ter homens”, explica uma frequentadora anônima e ex dependente alcoólica.

De acordo com a integrante do NA, a experiência de uma mulher como dependente química é sempre de maior exposição e vulnerabilidade perante à sociedade. Segundo ela, muitas vezes são companheiras ou mulheres da família que levam os homens até uma reunião do NA, mas muitas mulheres quando se encontram na mesma situação não encontram apoio na família, o que alastra a situação de sofrimento.

“O uso e a procura do tratamento para os homens era mais difundido, acho que por uma questão do machismo estrutural. Então, os homens tinham mais acesso ao tratamento. Tem uma questão cultural também do uso de substâncias, os homens historicamente tinham mais liberdade para usar, mas o mundo mudou e o NA teve que se adaptar, sim, ao mundo”, destacou a frequentadora.

Ainda de acordo com a frequentadora anônima, o NA tem se atualizado sobre as questões de gênero e orientação sexual, passando, inclusive, a considerar outras definições além dos binarismos “homem” e “mulher”.

“No início, a gente falava que é um programa onde ‘homens e mulheres podem se recuperar’, hoje a gente essa fala está sendo colocada em pauta. É um programa onde pessoas podem se recuperar. O que é um homem e o que é uma mulher? Toda essa questão de gênero é importante”, ressaltou a participante do grupo feminino.