Após o acidente com o caminhão que carregava uma carga de concreto que caiu nos trilhos do trem, entre Esteio e Canoas, inviabilizando parte das operações da Trensurb ao longo da segunda-feira, com o fechamento de cinco estações de trem, agora é uma intervenção na BR 116, executada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) que está causando transtornos aos usuários nesta terça. A inoperância dos trens entre as estações São Luís, Petrobras, Esteio, Luiz Pasteur e Sapucaia, segue alterando a rotina dos trabalhadores de toda a Região Metropolitana junto às demais estações da Trensurb.
De acordo com a Trensurb, servidores trabalharam ao longo da última madrugada para garantir a retomada dos serviços de transporte para a manhã desta terça, algo que não aconteceu por conta da obra do Dnit. Durante a execução do trabalho, uma laje que seria removida por guindaste apresentou rachaduras, gerando risco real de queda sobre a via.
Diante desse cenário, não houve como autorizar a circulação dos trens sem comprometer a segurança dos usuários e empregados.
Filas, reclamações e atrasos
Na estação Mathias Velho, em Canoas, as filas para embarcar nos ônibus com destino a cidades do Vale do Sinos, como São Leopoldo e Novo Hamburgo, eram intermináveis no início da manhã. As pessoas permaneciam por horas à espera do transporte para seus locais de trabalho.
Na plataforma do trem, a movimentação era intensa, já que a Mathias Velho era o destino final de quem vinha de Porto Alegre. Ou o ponto de partida para quem se deslocava para a capital. Kelly Regina Menezes de Melo, que trabalha em Sapucaia do Sul, acordou às 5h para estar às 7h30 no trabalho. "Vou me atrasar. A gente entende que foi um acidente, mas o pessoal responsável deveria colocar mais ônibus à disposição do trabalhador, dar mais assistência. É muita gente de depende do transporte."
Larissa Vieira, que trabalha na Unisinos, compartilha da mesma opinião de Kelly quanto à frota de ônibus. "É pouco ônibus para muita gente. Na segunda-feira foi uma loucura. Ninguém sabia dar informação, só tinha um papel informando que não teria trem. Hoje eu cheguei aqui, tem essa fila imensa e não tem ônibus para todos. Ontem paguei R$ 35 pelo carro de aplicativo e cheguei atrasada." Ela conta que o trem é o meio de transporte fácil e barato. Quando acontece imprevistos como este, a população fica desorientada.
No entorno da estação Sapucaia, na Região Metropolitana de Porto Alegre, foi de caos nas primeiras horas desta terça-feira. Passageiros da Transurb foram surpreendidos pelo fechamento repentino da estação por volta das 6h10; segundo a estatal de trens, pela instabilidade operacional após o acidente sobre os trilhos na madrugada da última segunda-feira.
Houve indignação e murmúrios entre os usuários do transporte ferroviário, que precisaram, em sua maioria, descer até a avenida Sapucaia, para embarcar em um dos ônibus que vai rumo à Capital.
Enquanto alguns optaram pelo transporte de ônibus semidireto, pagando mais caro por isto e andando a pé, o que formou enormes filas logo após o fechamento da estação, outros preferiram aguardar a baldeação fornecida pela Trensurb, embora não se sabia o momento nem os intervalos em que ela chegaria.
O que diz o Dnit
O DNIT informa que as atividades de alargamento do viaduto sobre o Trensurb na BR 116, em Canoas, estão sendo desenvolvidas nos horários for a da operação de circulação dos trens, horário entre as 0h30 e 3h40. A obra compreende a substituição da superestrutura (laje superior), por nova estrutura, bem como o complemento de largura necessária para o alargamento do referido viaduto.
Nesta terça-feira, por volta das 2h30, após ter sido finalizado o corte de uma parte da laje antiga, quando do içamento, a peça já cortada e separada da estrutura, apresentou algumas trincas, motivo pelo qual a operação foi suspensa, pois poderia ocasionar alguma queda de material por sobre a linha do trem. Essa peça continua presa ao guindaste, de forma segura, sem movimentação.
No momento as equipes estão posicionadas para executar um novo corte na peça, e um novo guindaste está se deslocando para o local, para então ser feito o novo corte, de forma a possibilitar o içamento da peça em duas partes. A previsão de liberação do serviço é por volta do meio-dia. O DNIT informa que não há nenhuma instabilidade estrutural no viaduto, sendo que o problema ocorreu com a peça já cortada e separada do viaduto.
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O acidente
Durante a madrugada desta segunda-feira, um caminhão, carregado de material de construção, tombou na BR 116 enquanto cruzava o viaduto que corta a via férrea da Trensurb. O acidente ocorreu próximo à Refinaria Alberto Pasqualini.
Por conta do tombamento, parte do material que estava na caçamba do caminhão caiu na via férrea, danificando trilhos e fios que levam energia para as composições. A partir daí, a circulação dos trens ficou comprometida e restrita, inicialmente, entre as estações Mercado e Mathias Velho.
O trabalho de retirada dos módulos começou por volta das 4 horas e se estendeu até às 9 horas. A retirada só foi concluída com ajuda de um guindaste. O caminhão havia sido recolhido muito antes da chegada dos operários. Um dos trabalhadores da empresa contratada para realizar o serviço, Antônio Nascimento Abreu, informou que a carga pesa cerca de 25 toneladas. O caminhão havia saído da cidade de Canoas e seguia para Ivoti, quando tombou na rodovia.
A ocorrência alterou a rotina de milhares de pessoas que utilizam diariamente o transporte metroviário. O trânsito na BR 116, no sentido capital-interior, ficou lento durante toda a manhã como reflexo da falta de trens.