Dezenas de pescadores artesanais realizaram uma manifestação na Colônia Z3, em Pelotas, contra o atraso de quase quatro meses no pagamento do seguro defeso. "Em setembro será a última parcela. Estamos em contato com as colônias de pescadores e o INSS", relata um dos organizadores da manifestação, o pescador Alexsander Braga Carvalhal.
Ele lembra que, em 11 de junho, o governo federal publicou um decreto e quem encaminhou o pedido para o benefício após esta data não recebeu nenhuma parcela. "Quem solicitou depois do decreto que passou a responsabilidade do registro dos pescadores para as prefeituras não recebeu nada. Falamos com o prefeito Fernando Marroni e ele disse que não recebeu nada de oficial sobre isso", lamentou o pescador, que tem 36 anos, e exerce a atividade desde os 14 anos.
Segundo Carvalhal, dos 3,6 mil pescadores que encaminharam o defeso, 1070 são pescadores artesanais prejudicados entre os municípios de Pelotas, Rio Grande, São José do Norte e São Lourenço do Sul. "Sabemos que o decreto foi publicado para lutar contra as fraudes, mas o Rio Grande do Sul é o único Estado que faz seguro defeso nesta época do ano. Então acabamos prejudicados", opinou.
Ele conta que representantes das colônias participaram de uma reunião com deputados em Brasília e foi criada uma medida provisória para derrubar o decreto. "Tudo depende de votação, então fizemos este protesto para chamar a atenção principalmente de vereadores, para que agilizem com os deputados e isto seja aprovado o quanto antes", justifica.
O presidente da Colônia de Pescadores Z3, Nilmar Conceição, lembra que no momento somente os pescadores da Lagoa dos Patos enfrentam problemas para receber o seguro defeso, mas no próximo mês os profissionais de outros estados começarão a enfrentam o mesmo impasse. "Estamos de acordo com regularizar, mas precisamos receber. Estamos sendo punidos por quem não formaliza a situação", comenta.
Está marcada para o dia 4 de setembro, às 14h, uma audiência pública para tratar do tema na Câmara de Vereadores de Rio Grande. No dia 11, um novo debate sobre o tema deve ocorrer, a partir das 19h, na Câmara de Vereadores de Pelotas.