Promover o diálogo e a articulação entre os setores para fomentar a inclusão produtiva e a conformidade sanitária dos produtos oriundos da pesca artesanal, fortalecendo a segurança alimentar, a geração de renda e o desenvolvimento territorial é um dos objetivos do seminário que está ocorrendo na colônia Z3, em Pelotas. A iniciativa, que se encerra nesta sexta-feira, com a elaboração de um plano de ações, é realizada pelo projeto Saberes Tradicionais da Pesca Artesanal, por intermédio do Laboratório MARéSS da Universidade Federal do Rio Grande (FURG). "Queremos fazer uma articulação, entre pescadores e o poder público, além da universidade para discutir formas de fazer com que os produtos da pesca artesanal passem para a formalidade no mercado formal, com a valorização das comunidades tradicionais e a valorização, principalmente das pessoas", destaca uma das organizadoras do evento a pesquisadora do Laboratório Maréss, Sarah de Oliveira. Ela também é responsável pela orientação sanitária do projeto Saberes Tradicionais da Pesca Artesanal na Produção de alimentos saudáveis e socio ambientalmente justos.
Ela lembra que os pescadores sofrem com a questão da informalidade, com atravessadores, o que faz com que ocorram perdas de ganho ao longo da cadeia. "Queremos discutir coletivamente como podemos alcançar uma legislação que seja coerente com a cadeia produtiva, com a manutenção destas comunidades nos territórios", destaca. Em Pelotas há em torno de 1,1 mil pescadores entre os que moram na Colônia Z3 e no Pontal da Barra. O coordenador técnico do Projeto Saberes Tradicionais da Pesca Artesanal, Ederson Silva, conta que a iniciativa trabalha em diversas frentes. Ele enfatiza que há uma frente de cooperativo, que envolve a questão pesqueira das ações relacionadas à pesca nas comunidades tradicionais. "O projeto tem uma frente de formação, outra de orientação sanitária, que é a atividade realizada no Seminário, que é relacionada a inspeção de produtos, origem, de como os produtos podem entrar no mercado. Também trabalhamos a questão de resgatar e documentar saberes tradicionais da pesca e da comunidade e a formação de 19 jovens, que recebem bolsa de R$ 500 para participar de um processo de formação com duração de 10 meses", relata.
A Superintendente Federal de Pesca e Aquicultura, Ana Spinelli também participou do seminário. Para ela, a maneira com que os pescadores lidam com o produto é algo que deve ser debatido." Temos que ver as condições mínimas para a legalização de uma unidade de processamento ", observa. " A iniciativa visa subsidiar um projeto de lei que regularize a venda. Precisamos avançar em questões como a legislação sanitária, que é pautada por grandes indústrias e a realidade da pesca artesanal é diferente", ponderou.
Para ela a ideia é buscar um projeto que garanta a qualidade do produto, mas que seja flexível ao ponto que seja possível uma família de pescadores fazer seu processamento, de pequenas quantidades e poder vender diretamente ao consumidor. "Às vezes o pescador só tem esta alternativa para sobreviver, então a situação tem que ser conciliada de alguma forma, permitindo com que as famílias possam manter o seu modo de vida, com encomendas muitas vezes antes mesmo de pescar, porque quem come um produto da pesca artesanal não quer consumir aquele vendido no mercado", conclui.