Cidades

Pesquisa do IBGE aponta que três a cada quatro resgates nas enchentes de 2024 foram feitos por voluntários

Dados fazem parte da Pesquisa Especial sobre as Enchentes de 2024 no RS, divulgada nesta quarta-feira

Pesquisa aponta que maior parte das pessoas foram resgatas de barcos por equipes de voluntários durante as enchentes de 2024 no RS
Pesquisa aponta que maior parte das pessoas foram resgatas de barcos por equipes de voluntários durante as enchentes de 2024 no RS Foto : Fabiano do Amaral / CP Memória

Entre os dados divulgados nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na Pesquisa Especial sobre as Enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul (Peers), estão detalhes sobre as operações de resgate e abrigamento durante uma das maiores tragédias climáticas registradas no país. Além disso, o relatório traz apontamentos sobre saúde mental, êxodo e danos em residências gaúchas.

Sobre as operações de resgate, a pesquisa apontou que 74% dos entrevistados responderam terem sido atendidos por equipes de voluntários, enquanto agentes de órgãos oficiais, como Bombeiros, Forças Armadas, Defesa Civil e policiais, atenderam 35,4%. Em alguns casos, os entrevistados disseram ter sido resgatados por equipes formadas tanto por voluntários como por agentes oficiais. E o principal meio de transporte utilizado no resgate foi o aquático (70%).

Ao todo, a pesquisa foi realizada em 133 municípios considerados pelo instituto como os que registraram maiores transtornos nas cheias. A coleta foi realizada entre 15 de setembro de 2025 e 27 de fevereiro de 2026, contanto com mais de 6 mil entrevistas, realizadas a partir de dados telefônicos informados no Censo Demográfico de 2022.

Abrigamento de atingidos

Na pesquisa, o IBGE também elencou que, em mais de 725 mil domicílios, um ou mais moradores precisaram passar ao menos uma noite fora de casa em função das cheias, atingindo 31,2% do total de domicílios considerados nas áreas apontadas como mais afetadas pelas enchentes. Em 30,2% desses casos, essa situação afetou famílias com renda mensal de até R$ 2 mil.

Em 82,1% dos casos, o abrigamento ocorreu em casas de parentes, amigos ou vizinhos. Entretanto, os entrevistados também citaram terem buscado auxílio em abrigos (10,4%), hotéis, casas alugadas ou outros imóveis próprios. Além disso, 1,7% dos entrevistados afirmaram ter passado ao menos uma noite na beira de estradas, terrenos elevados ou sob viadutos.

Os locais com maior percentual de pessoas que precisaram passar ao menos uma noite fora de casa devido às enchentes foram na região de Porto Alegre (39%), na região de Pelotas (26,9%) e na região de Santa Cruz do Sul e Lajeado (26,5%).

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Pesquisa será apresentada no RS

Na próxima sexta-feira, quando se completam 26 meses das enchentes de maio de 2024, o IBGE realizará a apresentação dos resultados da Peers na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul (ALRS). De acordo com o instituto, a pesquisa oferece subsídios relevantes para a formulação de políticas públicas estruturais voltadas ao enfrentamento das mudanças climáticas.

No mesmo dia, a ALRS também realizará uma sessão solene, a partir das 9h, para homenagear os 90 anos do IBGE. Durante a cerimônia, será entregue ao instituto a Medalha do Mérito Farroupilha, honraria concedida a personalidades e instituições que contribuem de forma relevante para o desenvolvimento econômico, social e cultural do Rio Grande do Sul.

“Celebrar o IBGE e divulgar a Peers no Parlamento gaúcho é afirmar que os números têm território, história e propósito: servir ao povo brasileiro e orientar o futuro da nação, especialmente quando o país se encontra diante da emergência climática e transição demográfica”, afirmou o presidente do IBGE, Marcio Pochmann.

“A pesquisa nos permitirá uma profunda análise sobre os danos causados pela pior tragédia climática enfrentada pelo Estado, o que é absolutamente fundamental para o planejamento do futuro. Essa divulgação em Porto Alegre, sem dúvida, servirá para reafirmar o compromisso de nossa instituição com a sua própria missão institucional”, completou o superintendente do IBGE no RS, Luis Eduardo Puchalski.