O reaparecimento de pinguins mortos voltou a chamar a atenção em praias do Litoral Norte do Estado. A situação foi flagrada na manhã de domingo, em Capão da Canoa, mas também há relatos da situação ter sido registrada em outros municípios.
Apesar de despertar a curiosidade de quem se depara com a presença dos animais, o fenômeno não é atípico, tem causas naturais e está relacionado com os movimentos migratórios dessas espécies.
Há cerca de duas semanas, carcaças já haviam sido encontradas. Dados recentes apontam que, entre 6 de agosto e 10 de setembro de 2025 foram encontrados 398 tetrápodes marinhos (aves, mamíferos e tartarugas) mortos entre Itapeva, em Torres, e Dunas Altas, em Palmares do Sul. Desse total, 267 eram pinguins-de-Magalhães e 53 eram lobos-marinhos, animais comuns de serem encontrados mortos ou debilitados nessa época do ano.
“Todos os anos morrem milhares de pinguins e perto de uma centena de lobos-marinhos, que são os animais típicos desta estação. Este ano, os registros estão um pouco abaixo de outros anos”, afirma o biólogo Maurício Tavares, doutor em Biologia Animal e pesquisador do Centro de Estudos Costeiros, Limnológicos e Marinhos (Ceclimar), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs).
O aparecimento das espécies no final de outono e tem um pico na metade ou final do inverno, como aconteceu em 2025. A maior incidência é de animais jovens, no primeiro ano de vida, que morrem de causas naturais, como viroses. Especialistas consideram a situação como parte da “seleção natural”.
Os pinguins-de-magalhães são aves marinhas migratórias e as colônias reprodutivas no Sul da América do Sul, Argentina e Chile. Nesta época do ano, os animais estão migrando para o Norte.Na primavera, os animais adultos retornam às colônias reprodutivas.
O período de postura de ovos ocorre em meados de outubro e novembro. Os animais nascem no verão, entre os meses de dezembro e fevereiro. Em meados de março e abril, os indivíduos jovens trocam de plumagem, ganham independência e se dispersam das colônias. A partir daí, inicia o período de migração, que vai de maio a agosto, e que é quando os animais passam pelo Litoral gaúcho.
Os registros de animais mortos são mais comuns entre o Rio Grande do Sul e São Paulo, mas há anos em que animais aparecem em estados mais ao Norte, como Ceará e Bahia. Alguns fenômenos podem interferir no número de mortes registradas. Em ano com ocorrência de El Niña, por exemplo, os registros costumam crescer.