A Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade (Smamus) lançou, nesta quarta-feira, uma plataforma digital inédita no país para mapear mudas plantadas em áreas públicas nos últimos cinco anos em Porto Alegre. O site, já disponível, mostra, por exemplo, a localização de 4.485 exemplares, distribuídas entre 116 espécies pertencentes a 29 famílias botânicas. Do total, 93% delas são nativas. Será também possível visualizar informações sobre como tratá-las, denunciar o vandalismo e inclusive demandar o plantio de árvores.
Outro lançamento foi um estudo detalhado das plantas nos parques da Redenção e Marinha do Brasil, os dois maiores de Porto Alegre. Na Redenção, que conta com 37,5 hectares de área, há 85,1% de cobertura arbórea, segundo a Smamus, sendo identificadas 6.436 árvores de 260 espécies. Ao todo, 63,1% delas são de espécies nativas, lideradas pelo chal-chal, seguido pela pitangueira e tipuana.
Já no Marinha, com 70,7 hectares, existem 2.896 árvores de 148 espécies, destacando-se as tipuanas e aroeiras-vermelhas. 38,6% do parque tem cobertura arbórea, predominando as espécies exóticas, com 64,6% do total. Uma curiosidade é que o parque foi projetado, portanto muitas árvores existentes ali constam de propósito desde sua construção. Para o titular da Smamus, Germano Bremm, a arborização urbana é uma ferramenta de mitigação e adaptação às mudanças climáticas, além de redução da poluição atmosférica.
A Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade (Smamus) lança uma plataforma pioneira no país que permite o monitoramento do plantio de mudas em áreas públicas da cidade
“Vivemos há pouco tempo as enchentes, então este investimento em monitoramento é muito importante na compreensão do nosso panorama. Há um olhar atencioso da equipe na cobertura de copa, que é um grande diferencial para entendermos como a cidade está em termos de arborização, e também para que a população acompanhe todo o processo de plantio e a evolução destas plantas”, afirmou ele. A plataforma de mapeamento de mudas também permite verificar a situação por bairro, sendo que o ideal, embora nem sempre atingível em razão de outros tipos de ocupação no território, é de 30%, conforme disse a coordenadora de Arborização Urbana da Smamus, Verônica Riffel.
Pelo site, é possível conferir que o bairro Navegantes, na zona Norte, contava com 4,6% de arborização, levantamento feito a partir de imagem aérea, enquanto a Agronomia, na zona Leste, 76,9% de área com árvores. Alguns bairros com maior vulnerabilidade social têm menor cobertura, como o Sarandi (16,8%), Santa Rosa de Lima (15,3%) e Rubem Berta (14,4%).
“A gente vai fazendo este acompanhamento e priorizando o plantio, em função da cobertura, para tentar retomar em alguns bairros. Por meio destes dados, conseguimos fazer um planejamento mais técnico possível e abarcar todas as regiões de Porto Alegre”, salientou ela. Um dos critérios avaliados é a presença de ilhas de calor, já mapeada no “Análise de Riscos e Vulnerabilidades Climáticas” no Plano de Ação Climática (Plac), lançado em 2024 pela administração.