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Revitalização da Vila dos Papeleiros é tema de debate em comissão da Câmara de Porto Alegre

Entidades criticaram projeto e alegaram violações dos direitos humanos, enquanto Prefeitura afirma que políticas públicas estão sendo preservadas

Vila dos Papeleiros fica na região central de Porto Alegre
Vila dos Papeleiros fica na região central de Porto Alegre Foto : Alina Souza

A Vila dos Papeleiros foi tema de uma nova reunião ordinária da Comissão de Urbanização, Transportes e Habitação (Cuthab) da Câmara Municipal de Porto Alegre na manhã desta terça-feira. Entidades ligadas aos direitos humanos e representantes da comunidade disseram haver apreensão quanto a projetos de revitalização da área, promovidos pela Prefeitura, além de expressar preocupação quanto a eventuais remoções. A sessão foi presidida pelo vereador Pedro Ruas, presidente da comissão.

A Administração, por sua vez, representada por membros das secretarias municipais de Inclusão e Desenvolvimento Humano (SMIDH) e Assistência Social (SMAS), rechaçou algumas falas e afirmou que não haverá demolições sem ampla conversa com a comunidade, garantindo que nenhuma família será desabrigada. O ouvidor-geral da Defensoria Pública do RS (DPE/RS), Rodrigo de Medeiros Silva, disse ter havido “denúncias sistemáticas de ações desproporcionais” do poder público em relação à comunidade.

“Um problema grave do ponto de vista do dever da administração pública é o direito à informação clara, correta. Não estaríamos aqui nessa situação se toda a comunidade tivesse uma informação clara do que vai acontecer”, disse ele. “Quando a prefeitura fala em revitalizar aquela região da Vila dos Papeleiros, eu me pergunto: revitalização para quem? A quem se refere?”, questionou o conselheiro do Conselho Municipal dos Direitos Humanos (CMDH), Fábio Daudt.

O presidente do Movimento Justiça e Direitos Humanos (MJDH), Jair Krischke, pontuou que “estamos frente a uma questão de violação humana”. “Quando se trata de revitalizar, é preciso pensar nas pessoas. O que importa são as pessoas. Essas é que devem ser privilegiadas em qualquer planejamento”, afirmou Krischke.

"Banco Mundial vai ouvir comunidade”, diz administração

A Prefeitura fez o contraponto durante o debate. O coordenador de Inclusão Social da SMIDH, Dari Pereira, disse que uma operação de fiscalização, com apoio do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) e Guarda Civil Metropolitana, desmantelou recentemente 11 galpões, mas foi constatado que somente dois possuíam relação com ilícitos.

Com isso, a Administração firmou uma parceria com o Centro Sama, ligado ao Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), com aporte de R$ 1 milhão por ano. Atende cerca de 120 catadores, de um total estimado de 360, oferecendo refeições diárias, equipamentos como prensas e identificação de carrinhos.

“O Banco Mundial, que vai aportar recursos para a revitalização da área, vai ouvir a comunidade para saber quais são suas prioridades. Tudo isto está planejado. Uma sociedade tem regras e limites, porém é preciso ter acolhimento e apoio”, comentou ele, destacando que nenhuma família terá sua casa demolida sem alternativa habitacional prévia.

A psicóloga Daniela Nardim, da SMAS, comentou que é preciso ter urgência em políticas públicas estruturadas para a inclusão produtiva do segmento de catadores. Segundo ela, cerca de 15 mil pessoas declaram-se oficialmente atuantes com este trabalho na Capital. “Ratifico aqui a importância da pauta e me coloco à disposição pra gente poder estar na perspectiva da melhor estratégia para os devidos fins”, salientou ela.