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Saiba o que é a “caravela” flutuando sobre as águas da foz do arroio Dilúvio, em Porto Alegre

Equipamento de startup, instalado sem custos para a Prefeitura, contém algas para remover poluentes e promover oxigenação da água

Estrutura deve permanecer no local por três meses, assim como outra, que está nas proximidades do Pontal Shopping, no Guaíba
Estrutura deve permanecer no local por três meses, assim como outra, que está nas proximidades do Pontal Shopping, no Guaíba Foto : Pedro Piegas

Desde o último final de semana, chama a atenção na foz do arroio Dilúvio, no bairro Praia de Belas, em Porto Alegre, um equipamento de cor azulada e aspecto triangular flutuando sobre a água. É uma “caravela”, espécie de jardim flutuante com bactérias e algas cuja função é absorver nutrientes resultantes da poluição, principalmente matéria orgânica proveniente do esgoto, e retirar alguns metais pesados da área, além de oxigenar a água. O processo é chamado biorremediação.

O equipamento, denominado assim pois seu formato lembra uma caravela marítima, remove os poluentes em si em sua área de atuação, e a ideia é que o material coletado possa contribuir para um conhecimento maior sobre o que está poluindo o curso d’água. A iniciativa, sem custos para a Prefeitura, é um projeto-piloto da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade (Smamus) com a empresa Heineken, por meio do edital Heineken Floating Bar, de iniciativas sustentáveis, e integra o Plano de Ação Climática da Capital.

A empresa instaladora foi a startup Infinito Mare, de São Paulo. Além desta caravela em Porto Alegre, uma segunda está sendo instalada no Guaíba, nas proximidades do Pontal Shopping, em que o centro comercial é parceiro. Ambas devem permanecer nos locais durante três meses, e os dados coletados serão usados para avaliar a eficácia da solução e considerar sua replicação futuramente. Cada estrutura tem aproximadamente cinco metros de largura, 3,40 metros de profundidade e 3,05 metros de altura.

Conta com sistema de iluminação LED alimentado por energia solar, seu casco é feito em polietileno de alta densidade e telas de malha para crescimento controlado de algas. “Ao mesmo tempo, também há uma melhoria localizada da qualidade do ar, removendo o gás carbônico da atmosfera ao redor, e produzindo oxigênio por meio da fotossíntese”, afirmou a diretora de Projetos e Políticas de Sustentabilidade da Smamus, Rovana Reale Bortolini. As algas coletadas se proliferam na tela e são coletadas periodicamente para raspagem em laboratório.

Depois, podem ser utilizadas para projetos de economia circular, como convertidas em biofertilizantes, biogás ou outros bioprodutos. A caravela também está instalada estrategicamente depois da ecobarreira do Dilúvio, que coleta resíduos sólidos, mas não detecta os poluentes na água, de maneira que ambas as estruturas se complementam. A solução da caravela já foi testada em outras capitais, como Rio de Janeiro e Belo Horizonte, o que, nas palavras de Rovana, em tese soluciona um problema para algo que já havia sido pensado para Porto Alegre, porém que ainda não havia sido implementado.

“Temos uma expectativa super positiva de que de fato funcione. Sempre queríamos testar este tipo de solução de jardim flutuante, porém existem várias metodologias e era algo complicado de se implementar. Uma startup vir com esta solução nos traz segurança. Acho que este é o melhor cenário”, complementou a diretora da Smamus.

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