Setembro está às portas, e aqui no “garrão do Brasil”, ocorre uma das mais importantes celebrações tradicionalistas do país e do mundo. O Acampamento Farroupilha de Porto Alegre não apenas está consolidado como um evento de excelência cultural no Rio Grande do Sul, como também cresceu em tamanho e relevância, acompanhando as mudanças no Parque da Harmonia, onde está situado, em uma área de cem mil metros quadrados. No ano passado, o evento reuniu mais de dois milhões de visitantes do mundo todo, que puderam conferir as atrações dos 236 piquetes durante 20 dias. Tudo indica que, neste ano, em sua 44ª edição, não será diferente, embora o número de piquetes seja o mesmo do ano passado.
O Acampamento Farroupilha da Capital, cujo tema de 2026 é a Herança Jesuítica e Guarani, começa no próximo sábado e vai até 20 de setembro, com acesso gratuito. O início de tudo foi rústico, com o evento praticamente com a criação do próprio parque, inaugurado em 4 de setembro de 1982, a partir da idealização do engenheiro agrônomo Curt Alfredo Guilherme Zimmermann. Nesta época, tradicionalistas e piquetes de cavaleiros vindos do interior do estado e da região Metropolitana viajavam a Porto Alegre para participar do tradicional Desfile Cívico-Militar de 20 de Setembro, se estabelecendo na área do Harmonia como pousada temporária e ponto de concentração.
Destaca-se o pioneirismo do policial militar José Carrão, cujo Piquete Chimango, no bairro Glória, é reconhecido como o primeiro a acampar na área, ainda em 1982, seguido por outros grupos. A montagem em si dos espaços tradicionalistas foi iniciada com os piquetes Velho Camboim e Marasquim. Em 1984, a antiga Epatur, a empresa pública de turismo de Porto Alegre, passou a administrar a então Fazendinha do Harmonia, alugando um galpão existente para a churrascaria Galpão Crioulo, incendiada em outubro de 1986, porém reconstruída posteriormente com as mesmas características.
O primeiro Acampamento Farroupilha formalizado ocorreu em setembro de 1987. Já em 1990, a coordenação do evento passou para a 1ª Região Tradicionalista (1ª RT), com a cobrança de espaço para o comércio, e sete anos mais tarde, ao Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG), organizando em conjunto com a Comissão Municipal dos Festejos Farroupilhas. O número de acampados, assim, foi crescendo com o tempo, ultrapassando os cerca de cem acampados até 1995, subindo exponencialmente até alcançar as 400 entidades culturais em 2008, porém logo depois houve limitações no parque em razão de obras no local.
Acampamento Farroupilha já teve outro nome
No mesmo ano, curiosamente, foi sancionada pelo ex-prefeito José Fogaça a lei que, oficialmente, instituía e regulamentava o acampamento em Porto Alegre. A partir de setembro de 2016, o evento teve oficialmente outro nome, passando-se a chamar Acampamento Farroupilha Nico Fagundes, em homenagem ao tradicionalista e comunicador morto no ano anterior, com sanção do ex-prefeito José Fortunati.
Mas a denominação teve vida curta; três meses depois, uma nova lei revogou a mudança, e o nome Acampamento Farroupilha voltou a vigorar. Em 2010, foi fundada a Associação dos Acampados do Parque Harmonia (Acamparh), representante dos piquetes e participantes do acampamento. Em março de 2021, o Parque Harmonia foi concedido à GAM3 Parks. A concessionária passou a administrá-lo mediante extensas reformas estruturais, que, de fato, foram realizadas.
“Antigamente, havia vários problemas de infraestrutura, hoje isso não existe. A questão é receber melhor o visitante e o turista, mostrando nossa cultura para o resto do Brasil e o mundo. E neste ano, de forma inédita, praticamente todos os piquetes que poderiam acampar em lotes fixos fizeram a inscrição, demonstrando o sucesso do evento. Essa profissionalização da gestão acabou ajudando bastante”, disse o presidente da Acamparh, Rogério Lara, para que, inclusive, a estabilidade na confirmação de piquetes e a redução de vagas disponíveis indicam um amadurecimento e consolidação do evento. “Apesar das alterações, a principal característica acho que não mudou, que é a questão de valorizar o tradicionalismo”, acrescentou.
Ao todo, a programação do acampamento neste ano conta ainda com mais de 120 atrações artísticas, sendo 80 shows musicais; 20 shows de mulheres gaúchas; 20 apresentações de trovadores, chuleadores e declamadores; 20 intérpretes de música regional gaúcha, dentro do Festival Porto Sol Canção Piá, e dez apresentações de bandas e fanfarras de escolas de Porto Alegre e região Metropolitana. Um dos pontos altos é a apresentação do espetáculo cênico-musical inédito Via Sacra Missioneira, nos dias 5 e 6 de setembro, no Palco Jayme Caetano Braun, um dos dois integrantes do evento. A patrona do Acampamento Farroupilha 2026 é a cantora e compositora Fátima Gimenez, que fez história como a primeira artista a registrar em disco a interpretação do Hino Rio-Grandense, em 1989.
Dez mil crianças devem também participar da tradicional Ciranda Escolar, que celebra em 2026 o centenário de Dimas Costa. Mais de dez toneladas de carnes de churrasco devem ser consumidas durante o evento. “O Acampamento Farroupilha é a festa que une o passado com o futuro do nosso Rio Grande. Temos muito orgulho de sediar um evento tradicionalista desse porte, que é único no mundo. No acampamento, cada piquete conta uma história de vida, de pessoas que se dedicam o ano inteiro para potencializar nossa cultura em setembro”, disse o prefeito Sebastião Melo.
Programação do primeiro final de semana
Dia 29/08, sábado
- 20 horas – Grupo Bochincho
Dia 30/08, domingo
- 20 horas – Thomas Machado
- Vídeo: Como começou o Acampamento Farroupilha?
- Rodeio de almas e amigos encontrados
- Montagem dos piquetes do Acampamento Farroupilha entra em etapa final neste sábado