Em um cenário de crescentes incertezas no panorama econômico global, o Conselho do Prêmio Exportação RS promoveu um debate sobre os desafios e oportunidades. O encontro foi realizado na sede da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Rio Grande do Sul (Fecomercio RS), em Porto Alegre.
Apesar do cenário de incertezas provocado principalmente pelos impactos do conflito no oriente médio, o CEO do Prêmio Exportação RS, Edmilson Milan, se mostra otimista quanto à criação de novas oportunidades para o mercado comercial brasileiro e gaúcho. “Aqui no Brasil, nós podemos aproveitar e direcionar, por exemplo, o crescimento dos nossos produtos com a América do Sul ou, até mesmo pra Europa que em breve estará operando em acordo com Mercosul”, afirma o dirigente.
O evento recebeu o painel “Como o duelo Estados Unidos-China redefine a exportação mundial” e reuniu autoridades e empresários na sede do Sistema Fecomércio em Porto Alegre. O objetivo do debate foi vislumbrar oportunidades no novo cenário de amplo crescimento da economia chinesa, que em termos de comparação entre renda e custo de vida, já ultrapassa os Estados Unidos em tamanho de mercado.
“A China é o maior parceiro comercial do Brasil, mas também ocupa essa posição nas relações econômicas com outros 120 países”, explicou Ricardo Geromel, especialista do ecossistema chinês no Brasil e um dos palestrantes do evento. “No ano passado, o Brasil exportou para a China o dobro do que exportou para o segundo maior parceiro, que é os Estados Unidos”, completou o especialista.
Na avaliação do especialista, as relações do país asiático com o Brasil foram beneficiadas após a imposição das massivas tarifas impostas pelo Governo Trump sobre importações para solo estadunidense. “Atualmente, 71% das importações chinesas de soja vem do Brasil contra 20% dos Estados Unidos em retaliação ao tarifaço imposto por Trump e 45% do petróleo exportado pelo Brasil vai para um único país: a China”, destaca o especialista que adverte sobre a dependência comercial das relações com a potência oriental.
O especialista em economia e mercado internacional, Fernando Ulrich, também palestrou no encontro e destacou o crescimento da economia chinesa e o movimento que busca a valorização da sua moeda. No entanto, o palestrante é comedido ao avaliar qualquer previsão sobre o cenário comercial global.
“O que a gente pode prever com algum nível de certeza é que quanto mais o conflito se arrasta maiores serão impactos. A saída é buscar ter o máximo de resiliência e capacidade de adaptação. O que é mais necessário agora é conseguir responder a essas incertezas quando elas se concretizarem”, destaca.
Chegando a 54ª edição, o Prêmio Exportação RS se posiciona como um impulsor do comércio exterior brasileiro e valoriza iniciativas inovadoras e práticas para o desenvolvimento de uma rede robusta de expansão da economia nacional. As inscrições podem ser feitas pelo site da seccional gaúcha da Associação dos Dirigentes de Marketing e Vendas do Brasil até 12 de março. A cerimônia de entrega da premiação acontece no dia 6 de agosto.