Economia

Ambiente de trabalho tóxico prejudica empresas e colaboradores, alerta psicóloga

Andréa Fidelis explicou à plateia do Correio do Povo a importância da cultura do cuidado e alertas sobre riscos psicossociais

Saúde mental é tema de evento na Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho, no Correio do Povo
Saúde mental é tema de evento na Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho, no Correio do Povo Foto : Alina Souza

Saúde mental e riscos psicossociais no ambiente de trabalho foi o tema da palestra na manhã desta quarta-feira na Semana Interna de Prevenção de Acidentes de Trabalho (Sipat) do Correio do Povo, na sede do jornal, no Centro Histórico de Porto Alegre. A coordenadora do curso de Psicologia do Instituto Brasileiro de Gestão de Negócios (IBGEN) e colunista do Bella Mais, Andréa Fidelis, explicou à plateia de colaboradores como, muitas vezes, um ambiente laboral tóxico pode trazer problemas para as pessoas que o frequentam.

Comentou ainda sobre a NR-1, a norma regulamentadora trabalhista do Ministério do Trabalho que, a partir de agora, contempla riscos relacionados à saúde mental. “Isto depende muito da empresa, porque o ambiente de trabalho precisa ser cuidado. Muitos pensam que o problema é da pessoa, mas o burnout e outros problemas de saúde mental no trabalho são por causa deste ambiente, e ele precisa ser mudado. Vivemos uma lógica de exploração, independente da questão ideológica, porque quanto mais trabalhamos, mais somos ‘valorizados’, entre aspas mesmo”, comentou ela.

Andrea ainda pontuou os sinais de alerta que podem indicar um possível adoecimento relacionado com a atividade laboral. “Quando eu acordo pensando no trabalho, quando, no meio da noite, ou de manhã, eu vejo que estou desanimado, quando deixo de ter uma vida social ativa para dar conta das coisas laborais, ou seja, minha vida fica toda centrada no trabalho, você está com um risco importante de estresse ocupacional que vai levar ao burnout. Se o primeiro pensamento do dia é sobre trabalho e se você desmarca compromissos para dar conta dele, também é um sinal de alerta”, acrescentou.

Em 2025, o Rio Grande do Sul foi o Estado do Sul com maior número de registros de afastamentos laborais por conta de questões envolvendo saúde mental. “É preciso parar de olhar para a pessoa e começar a enxergar as empresas. O que está acontecendo no ambiente organizacional que adoece as pessoas? Pessoas doentes não produzem bem. Com esse adoecimento, a gente começa a ter perda de qualidade, desmotivação crônica, afastamentos, raiva do trabalho. E a empresa vai ter que pagar por isso. Antes era visto como frescura, mas não é mais. Estamos provando que isto deixa as pessoas cada vez mais com depressão e ansiedade”, salientou Andrea.

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