A Associação Brasileira do Carvão Sustentável (ABCS) divulgou nesta quarta-feira, em Porto Alegre, um manifesto técnico que destaca o papel estratégico do carvão para o desenvolvimento econômico do Rio Grande do Sul a longo prazo. O documento ainda indica políticas públicas e a realização de estudos revisitados sobre o tema. Atualmente, o Estado possui 89% das reservas de carvão mineral do Brasil, conforme a entidade.
De acordo com o presidente da ABCS, Fernando Luiz Zancan, o momento atual da economia mundial, em função do aparelhamento tecnológico e da necessidade de segurança energética em função dos conflitos entre EUA e Irã, colocam o carvão como um dos principais vetores de oportunidade para o desenvolvimento do Estado. Formado em engenharia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), ele atua no setor há mais de 50 anos.
“Precisamos revisitar e reestudar o carvão brasileiro, em especial o gaúcho. Aquilo que a gente achava nunca poderia ser utilizado, hoje pode ser explorado comercialmente em função das tecnologias existentes. Nunca vi uma oportunidade tão grande para alavancarmos o desenvolvimento do RS através do carvão. Não existe nenhum país no mundo, com a quantidade de material que o Brasil possui, deixando tudo embaixo da terra, sem nem olhar”, afirmou Zancan.
Atualmente, apenas no RS e em Santa Catarina, mais de 35 mil famílias tiram seu sustento a partir do trabalho com o carvão. O engenheiro reforçou ainda que o principal desafio do setor é a mitigação dos efeitos do dióxido de carbono (CO2). Mesmo assim, Zancan salienta que existem tecnologias capazes de capturar o gás durante a produção e a queima do carvão, além de utilizá-lo como base para a produção de subprodutos, como metanol e fertilizantes.
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A fabricação de fertilizantes a partir do carvão é uma das principais oportunidades para o setor, de acordo com o presidente da ABCS, pois auxilia na redução da dependência brasileira pela importação desse tipo de produto. Nesse sentido, ele apontou que um dos principais reflexos do conflito atual no Oriente Médio para o Brasil está na dificuldade da importação de fertilizantes.
Zancan citou ainda um projeto em andamento em Candiota no qual o carvão é queimado junto com madeira de florestas plantadas (carvão+biomassa), refletindo em uma produção carbono neutro. O estudo, feito em parceria com a Sociedade de Assistência aos Trabalhadores do Carvão (Sact) será concluído até 2028, apontando também questões como sustentabilidade ambiental, consumo de água, impacto social e geração de emprego.
Como exemplo do potencial gaúcho para o setor carbonífero, o presidente da ABCS destacou os casos de China e Índia. Os países, somados, possuem cerca de 3 bilhões de habitantes e contam com o carvão como base energética e alimentar, por conta dos fertilizantes utilizados na agricultura. Além disso, o mineral também é utilizado nesses países na cadeia de produção de equipamentos eletrônicos, como itens para energia solar e baterias.
O documento lançado pela ABCS reforça ainda que o “RS tem diante de si uma escolha histórica”, apontando que o carvão gaúcho “viabiliza a transição energética, fornecendo estabilidade, tecnologia, emprego, inovação e soberania, podendo ser parte de um ciclo de carbono-negativo e gerador de riqueza, sendo uma plataforma para o desenvolvimento econômico sustentável”.