Economia

Banco Mundial prevê menor crescimento e pede reformas na América Latina

Economista-chefe da entidade, William Maloney defende “Estado mais competente e capaz, não necessariamente maior”

Maloney falou sobre desafios da América Latina
Maloney falou sobre desafios da América Latina Foto : Divulgaçã/Banco Mundial /CP

Manter o curso das reformas econômicas e um Estado mais competente e capaz podem ajudar a superar a crise energética na América Latina e Caribe, região que crescerá menos este ano do que no ano passado, segundo o Banco Mundial.

A instituição publicou suas previsões nesta quarta-feira (8), antes de seu encontro de primavera no hemisfério norte e da reunião do Fundo Monetário Internacional (FMI) na próxima semana, em Washington. De acordo com suas projeções, a América Latina e o Caribe crescerão 2,1% este ano, em comparação com 2,4% em 2025. "A perspectiva moderada reflete um ambiente macroeconômico desafiador, com altos custos de financiamento, demanda externa fraca e pressões inflacionárias decorrentes da incerteza geopolítica", explicou em comunicado. O relatório também menciona o debate iniciado em diversos países em desenvolvimento sobre políticas públicas industriais, diante da ascensão do protecionismo nos Estados Unidos e em outros países.

"Acredito que o informe defende um Estado mais competente e capaz, não necessariamente maior", explicou William Maloney, economista-chefe do Banco Mundial para a região, em entrevista à AFP.

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A América Latina e o Caribe enfrentam os mesmos problemas há décadas: baixa produtividade, falta de qualificação profissional e margem fiscal limitada para implementar políticas de investimento público em grande escala, reconheceu o especialista. "São problemas de longa data que enfrentamos, que remontam a um século", explicou Maloney.

A Argentina embarcou em uma trajetória radicalmente diferente sob o governo de Javier Milei, com cortes drásticos nos gastos públicos, elogiados por organizações como o FMI em termos de déficit e dívida pública. "A Argentina, como todos sabem, vivenciou um longo período de instabilidade macroeconômica, com altos e baixos que simplesmente representaram um obstáculo a qualquer tipo de crescimento", explicou Maloney. "Se você tem uma crise macroeconômica a cada 10 ou 15 anos, quem vai investir?", questionou.

Mas a taxa de crescimento anual do PIB continua frustrante para muitos países da região, que voltam a olhar para as experiências de políticas públicas industriais após a Segunda Guerra Mundial ou para o sucesso de muitos países asiáticos nas últimas décadas. "O desempenho geral da América Latina e do Caribe tem sido decepcionante tanto em modelos intervencionistas quanto não intervencionistas", alerta o relatório. O Estado deve investir em universidades, oferecer um quadro regulatório estável, gerir as finanças públicas com prudência e garantir a segurança dos seus cidadãos, aconselham os especialistas.

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