Economia

Bioenergia abre horizontes do agronegócio

Debate promove aliança entre a indústria energética e a produção rural do Estado

Encerramento teve painel em homenagem a mulheres que atuam no setor energético gaúcho
Encerramento teve painel em homenagem a mulheres que atuam no setor energético gaúcho Foto : Mauro Schaefer

Com o crescimento da demanda e da busca por alternativas com baixa pegada de carbono para o mercado de combustíveis, a produção de bioenergia aponta no horizonte como uma oportunidade de promover sustentabilidade e desenvolvimento econômico. Enquanto o mundo discute opções financeiramente viáveis para uma transição energética, o Brasil, que tem cerca de 89% da sua matriz renovável, investe na inovação desenvolver alternativas fortalecendo outros setores.

O reaproveitamento de resíduos da produção agrícola, animal e florestal tem fortalecido o mercado de biocombustíveis, que se utilizam da extração de grãos oleaginosos para sua confecção. Com o aumento de investimentos em bioenergias, cresce também a demanda por mão de obra agrícola para este fim, fortalecendo a produtividade do campo e abrindo possibilidades ao produtor rural.

“Já existem pesquisas desenvolvidas pela Embrapa e por universidades para produção de energia através do arroz que são muito positivas. Hoje a gente tem capacidade de produzir muito mais arroz mas não conseguimos escoar. Então essa união e diversificação é que fazem com que o agro seja cada vez mais forte e possa ter cada vez mais geração de renda para os produtores rurais e para a sociedade como um todo”, defende a Coordenadora da Comissão de Meio Ambiente da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), Paula Hofmeister que destaca o caráter complementar entre os dois tipos de produção.

De acordo com a presidente do Sindicato da Indústria de Energias Renováveis do Rio Grande do Sul (Sindienergia-RS), Daniela Cardeal, esse cenário concilia os dois setores mais representativos do Produto Interno Bruto (PIB) gaúcho: a indústria e o agronegócio. “Nós entendemos que são os nossos maiores demandadores de energia. Partindo do princípio que precisam de energia, que eles escolham que seja renovável. Além de fomentar o que pode ser produzido aqui no Rio Grande do Sul, também traz esse potencial de um crescimento associado com a diversidade”, argumenta a presidente da entidade.

Entre os dias 18 e 20 de março, o Sindienergia-RS apoiou o Congresso Internacional de Bioenergia, que ocorreu no Centro de Eventos da Fiergs, em Porto Alegre e integrou a programação da Feira Internacional de Bioenergia - BioTECH Fair. O espaço contou com debates e exposições sobre tecnologia e inovações no setor apontando para o futuro da energia limpa no Brasil e, especialmente, no Rio Grande do Sul.

Na avaliação da presidente da entidade, entre os bônus do evento estão um alinhamento entre diversos setores produtivos por um objetivo comum. “Nós estamos vivendo um momento muito delicado de crise internacional, com aumento de custo e redução de oferta de combustíveis. Por outro lado, é uma oportunidade de inovação. Nesse contexto, temos a possibilidade de aumentar o uso de renováveis não só na parte de energia mas na parte também da combustíveis e contribuir para o crescimento”, destaca Daniela Cardeal.

O encerramento do congresso contou com o painel “A energia das mulheres no Mercado – Uma homenagem ao Mês das Mulheres” que reuniu lideranças femininas de setores produtivos ligados a produção energética. Além da presidente do Sindienergia-RS e da representante da Farsul, participaram do painel a vice-coordenadora do Conselho das Mulheres do Sindienergia-RS, Luiza Ramanauskas e a coordenadora do Comitê de Lideranças Femininas da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), Daniela Kraemer.

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